.. raw:: html .. role:: exem .. raw:: html .. role:: solucao .. raw:: html .. role:: blue .. _RST Capitulo 4: Capitulo 4: Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS) ************************************************************* Os Sistemas Globais de Navegação por Satélite (*Global Navigation Satellite Systems*, GNSS) tratam-se de diferentes sistemas, para fins de posicionamento, que utilizam ondas eletromagnéticas emitidas por satélites artificiais à terra. Estes sistemas são utilizados em diferentes áreas, sendo primeiramente construídos com finalidades militares. Atualmente, por exemplo, são empregados nos transportes terrestres, marinhos e aéreos, em levantamentos geodésicos e, na agricultura, na denominada agricultura de precisão e no georreferenciamento de imóveis rurais. Neste capítulo será realizada uma apresentação do princípio de seu funcionamento, dos sistemas existentes, das fontes de erros, e dos tipos de posicionamento GNSS. Introdução ========== O posicionamento baseado por satélite, se refere à obtenção da posição de um ponto (p.ex.: latitude e longitude), por meio de receptor que capta e processa sinais emitidos por satélites artificiais, na superfície terrestre, no mar, no ar ou no espaço. Antes dos satélites a posição de um ponto era realizado por meio da técnica denominada de triangulação, em que vários lados dos triângulos são ligados por pontos (vértices) na área de interesse. Então os lados e ângulos dos triângulos eram medidos. Os vértices dos triângulos eram, geralmente, materializados por marcos. Os lados dos triângulos eram medidos por réguas, trenas e mais recentemente por meio de medidores eletrônicos de distância e os ângulos, medidos por teodolitos. Sendo que cada lado dos triângulos poderia chegar a 100 km. Para o ajustamento era necessário que em pelo menos um ponto as suas coordenadas (p.ex. latitude, longitude e altitude) fossem conhecidas, assim como também fosse determinado o azimute de uma linha. As coordenadas do ponto era estabelecida com base em observações astronômicas, o que poderia resultar em erros de metros. O primeiro satélite a ser lançado foi o Sputnik, Russo, em 4 de outubro de 1957. Desde então vários outros foram lançados, fazendo com que uma outra metodologia pudesse ser utilizada para o posicionamento, sendo denominada de programa mundial de triangulação por satélite (*worldwide satellite triangulation program*). Constituia em fotografar, de dois pontos da terra, satélites com características refletivas no espaço, com estrelas ao fundo, ao longo de um tempo. Por técnicas fotogramétricas era possível encontrar a direção entre estes dois pontos. Observações de outros pontos na terra eram realizadas, formando uma rede global para ajustamento. Podem-se citar como problemas para esta metodologia: necessidade de céu limpo durante a fotografia nas duas estações que, eram separadas em aproximadamente :math:`4.000\,\text{km}`; e o equipamento para fotografia, pesado e caro. O primeiro sistema a utilizar satélites artificias, com capacidade de emitir sinais à terra, que poderiam ser captados por receptores para fins de posicionamento, foi o *Transit*, formalmente conhecido por *Navy Navigation Satellite System*, utilizado pela Marinha Norte Americana para o posicionamento de submarinos e de navios de guerra por um período de 32 anos, tendo finalizado suas operações em 1996. O primeiro satélite Transit lançado com sucesso ocorreu em 1960, transmitindo sinais em duas frequências tendo como finalidade a realização de testes. O lançamento de um satélite operacional ocorreu em 5 de dezembro de 1963. Quando em operação o sistema Transit era constituído de 6 satélites orbitando a terra na altitude de :math:`1.100\,\text{km}`, período orbital de 106 min e enviando sinais em duas frequências (:math:`150\,\text{MHz}` e :math:`400\,\text{MHz}`). Em 1967 o presidente dos Estados Unidos autorizou o uso comercial e privado, sendo fabricado mais de 80.000 receptores. Segundo :cite:t:`Hofmann2008`, a precisão de posicionamento do sistema Transit, quando utilizando receptor com capacidade de rastreio de uma e de duas frequências, era de :math:`100\,\text{m}` e :math:`20\,\text{m}`, respectivamente. Este sistema tinha como limitação a precisão e, principalmente, a baixa frequência para obter a posição, ou seja, não era apenas ligar o receptor em terra e já obter a coordenada, poderia demorar de 6 horas a 12 horas para ter satélites disponíveis e então obter a coordenada. Isto ocorria pelo número reduzido de satélites em órbita :cite:p:`smith1997introduction`. Na mesma época, um sistema similar ao Transit, o *Cicata*, foi desenvolvido pela Rússia. O termo :math:`\bf{GNSS}` (:math:`\bf{G}\it{lobal}` :math:`\bf{N}\it{avigation}` :math:`\bf{S}\it{atellite}` :math:`\bf{S}\it{ystems}`) descreve os diferentes sistemas de posicionamento por satélites, assim como as suas combinações para se obter o tempo, posição e velocidade em qualquer tempo e condição atmosférica :cite:p:`GNSS:bhatta2010global`. Com o breve histórico apresentado anteriormente, percebe-se que toda uma base tecnológica de conhecimento estava formada para construção de novos GNSS. Desta forma, vários países ou nações, partiram para o desenvolvimento e construção de seu próprio GNSS, sem as limitações dos anteriores, como a baixa precisão e frequência. Seguem alguns exemplos de GNSS: nos Estados Unidos, por meio do seu Departamento de Defesa (DoD, abreviação de *Department of Defense*), houve o desenvolvimento do Sistema de Posicionamento Global (:math:`\bf{GPS}`, :math:`\bf{G}\it{lobal}` :math:`\bf{P}\it{ositioning}` :math:`\bf{S}\it{ystem}`), na Rússia, sob a operação das forças armadas, o Sistema de Navegação Global por Satélite (:math:`\bf{GLONASS}\text{,}\,` :math:`\bf{GL}\it{Obal'naya}` :math:`\bf{NA}\it{vigatsionnaya}` :math:`\bf{S}\it{putnikovaya}` :math:`\bf{S}\it{istema}`); e, na Europa, sendo construído pela União Europeia, o sistema :math:`\bf{Galileu}`. Maiores detalhes destes sistemas serão apresentados em :ref:`Exemplos de GNSS`. .. _posicionamento_satelite: Posicionamento por satélite =========================== Nesta seção será apresentado o princípio básico do posicionamento por satélite conforme explicação de :cite:t:`Hofmann2008`. Como já foi dito, o GNSS fornece informação da posição de um lugar, por exemplo, a latitude, longitude e altitude geométrica. Para tanto, é necessário: uma constelação de satélites sobrevoando o espaço e enviando sinais à terra e; receptores. capazes de captar e processar as informações contidas nestes sinais. Basicamente, para o posicionamento ser realizado, é necessário a determinação da distância entre satélites e receptor. Considere a :numref:`fig_GNSS_posicion`, com a representação da terra, de um receptor e de um satélite, em uma determinada época. Imagine esta época congelada. A posição do receptor :math:`(\boldsymbol{\varrho_{r}})` e de cada satélite :math:`(\boldsymbol{\varrho^{s}})` tem como sistema de referência o centro de massa da terra (sistema geocêntrico). A posição de cada satélite pode ser determinada com o auxílio das efemérides (tabelas de valores que torna possível determinar a posição do satélite no espaço) transmitidas pelos satélites e processadas no receptor. Se o receptor, definido na terra por sua posição geocêntrica :math:`(\boldsymbol{\varrho_{r}})`, tem um relógio preciso, a distância :math:`(\delta)` entre cada satélite e o receptor pode ser calculada pela medida de tempo que o sinal (código) demorou entre a emissão do satélite até a chegada no receptor. Cada satélite definirá uma superfície de esfera, em que o seu centro é a posição do satélite. Desta forma, determinada as distâncias entre três satélites e o receptor, torna-se suficiente para que a interseção das três esferas resulte na determinação das três incógnitas da posição do receptor, por exemplo, a latitude, a longitude a altitude geométrica. A equação da distância entre cada satélite e receptor é determinada por: .. math:: \delta=\left\Vert \boldsymbol{\varrho^{s}-\varrho_{r}}\right\Vert :label: eq:GNSSdistanciasatelitereceptor .. _fig_GNSS_posicion: .. figure:: /images/capitulo4/fig_GNSS_posicion.png :scale: 35 % :alt: fig_GNSS_posicion.png :align: center Princípio do posicionamento por GNSS. Dado um vetor :math:`\mathbf{a}`, no espaço tridimensional de coordenadas :math:`x`, :math:`y` e :math:`z`, tem-se que, :math:`\left\Vert \mathbf{a} \right\Vert` representa a norma de um vetor (também denominado de módulo de um vetor), onde: .. math:: \left\Vert \mathbf{a}\right\Vert =\sqrt{x^2+y^2+z^2} No Exemplo 1 é apresentado a obtenção da posição de um ponto, em um sistema de coordenadas bidimensional, conhecendo-se as posições dos satélites e dos intervalos de tempo entre o envio do sinal pelos satélites e a sua chegada ao receptor. .. admonition:: :exem:`Exemplo 1` Os dados das posições e distâncias que serão apresentados neste exemplo têm magnitude muito inferiores das usuais nos GNSS, uma vez que, geralmente, são dadas em milhares de metros, vistas as altitudes dos satélites (a altitude da órbita dos satélites GPS é de 20.200 km) e o sistema de referência utilizado. Desta forma, busca-se apenas ilustrar a estratégia utilizada no GNSS para cálculo da posição do receptor. Vamos supor que desejamos encontrar as coordenadas bidimensionais de um ponto onde uma pessoa possua um receptor (:math:`r`). Este receptor recebe e processa os sinais, de uma determinada época, emitidos de dois satélites, denominados aqui por satélites 1 e 2. Nestes sinais são enviadas as efemérides dos satélites, sendo então calculadas suas posições: para o satélite 1 e 2, respectivamente, :math:`\boldsymbol{\varrho}^1=(3,\,5)` e :math:`\boldsymbol{\varrho}^2=(6,\,4)`. Os receptores GNSS, também por meio dos sinais (código), conseguem realizar uma estimativa do intervalo de tempo entre o envio do sinal e a chegada ao receptor :math:`(\Delta t)`. Como se conhece a velocidade de propagação do sinal, velocidade da luz :math:`(c=299.792,458\,\text{km s}^{-1})`, pode-se calcular a distância entre eles :math:`(\varrho=c\cdot\Delta t)`, sendo de :math:`\varrho_{1r}=\text{4,123}` e de :math:`\varrho_{2r}=\text{3,606}`. Calcule as coordenadas do receptor (:math:`\boldsymbol{\delta}_{r}`). :solucao:`Solução:` Com os dados apresentados na figura a seguir, pode-se desenhar a configuração geométrica dos satélites e, por circunferências, as distâncias entre eles e o receptor. As circunferências se interceptam em dois pontos, sendo estas as possíveis posições para o receptor. Considerando que o receptor não pode estar localizado acima dos satélites, temos apenas uma posição possível, a do receptor. .. _GNSSPosicExemplo: .. figure:: /images/capitulo4/GNSSPosicExemplo.png :scale: 35 % :alt: GNSSPosicExemplo.png :align: center Para encontrar a posição do receptor, utiliza-se a Equação :eq:`eq:GNSSdistanciasatelitereceptor`, sendo, para o receptor e o satélite 1: .. math:: 4,123^2=\sqrt{(x_r-3)^2+(y_r-5)^2} .. math:: -17,001=x_r^2-6x_r+y_r^2-10y_r :label: exem_a Para o satélite 2 e o receptor: .. math:: 3,606^2=\sqrt{(x_r-6)^2+(y_r-4)^2} .. math:: -38,997 = x_r^2-12x_r+y_r^2-8y_r :label: exem_b Subtraindo a Equação :eq:`exem_a` da :eq:`exem_b` e isolando :math:`y`: .. math:: y_r = -10,998+3x_r :label: exem_c Substituindo :eq:`exem_c` em :eq:`exem_a` : .. math:: x_r^2-6x_r+(-10,998+3x_r)^2-10(-10,998+3x_r) = -17,001 .. math:: 10x_r^2-101,988x_r+247,935=0 :label: exem_d A Equação :eq:`exem_d` é do tipo polinomial do segundo grau, sendo suas raízes. A equação do segundo grau, :math:`ax^{2}+bx+x=0`, tem raízes: :math:`\displaystyle {x=\frac{-b\pm\sqrt{b^{2}-4ac}}{2a}}` . Logo, :math:`x_{r1}=4` e :math:`x_{r2}=6,2`. Por fim, substituindo as raízes na Equação (a) ou (b) encontram-se, :math:`y_{r1}=1` e :math:`y_{r2}=7,6`. Ou seja, temos duas posições possíveis para o receptor, :math:`\boldsymbol{\varrho_{r}}=(4,\,1)` ou :math:`\boldsymbol{\varrho_{r}}=(6,2,\,7,6)`. Como o receptor não estará acima dos satélites, a posição do receptor seria :math:`\boldsymbol{\varrho_{r}}=(4,\,1)`. Como foi apresentado no Exemplo acima, há a necessidade de se conhecer a distância geométrica entre o receptor e os satélites. Isto é realizado medindo-se o lapso de tempo entre o envio e a chegada ao receptor multiplicado pela velocidade da luz. Desta forma, o lapso de tempo poderia ser calculado se os relógios do receptor e dos satélites estivessem sincronizados. Contudo os relógios dos receptores são de baixa precisão e apresentam apenas uma aproximação do sistema de tempo do GNSS, resultando em um erro do relógio :math:`(\delta)` e posteriormente em um erro na distância :math:`\Delta\varrho`. Desta forma, a distância calculada pelos receptores não será a distância geométrica, mais sim ao que se denomina pseudodistância :math:`(R)`: .. math:: R=\varrho+\Delta\varrho=\varrho+c\delta :label: eq:GNSSpseudodistancia O sistema passa agora a ter quatro variáveis desconhecidas, a posição, três variáveis :math:`(x_{r},\,y_{r},\,z_{r})`, mais a variável erro do relógio :math:`(\delta)`, fazendo com que sejam necessários pelo menos 4 pseudodistâncias para solucionar estas quatro variáveis desconhecidas. Considerando um receptor com coordenadas :math:`x_{r},\,y_{r}` e :math:`z_{r}`, observando 4 satélites, ele poderá calcular as 4 pseudodistâncias, resultado em: .. math:: R_{1} & =\sqrt{(x_{1}-x_{r})^{2}+(y_{1}-y_{r})^{2}+(z_{1}-z_{r})^{2}}+c\delta\\ R_{2} & =\sqrt{(x_{2}-x_{r})^{2}+(y_{2}-y_{r})^{2}+(z_{2}-z_{r})^{2}}+c\delta\\ R_{3} & =\sqrt{(x_{3}-x_{r})^{2}+(y_{3}-y_{r})^{2}+(z_{3}-z_{r})^{2}}+c\delta\\ R_{4} & =\sqrt{(x_{4}-x_{r})^{2}+(y_{4}-y_{r})^{2}+(z_{4}-z_{r})^{2}}+c\delta As Equações acima são do tipo não lineares, onde as variáveis :math:`x_{r}`, :math:`y_{r}`, :math:`z_{r}` e :math:`\delta` podem ser estimadas de diferentes métodos, por exemplo, pelo método iterativo, baseando-se na sua linearização :cite:`GNSS:kaplan2006fundamental`. Segmentos GNSS ============== Para que o GNSS seja capaz de calcular a posição, o tempo e a velocidade, em qualquer posição e hora na terra, são necessários três segmentos, denominados de segmentos espacial, de controle e usuário. Segue uma descrição dos mesmos. .. _seg_gnss.png: .. figure:: /images/capitulo4/seg_gnss.png :scale: 35 % :alt: seg_gnss.png :align: center Segmentos GNSS. Segmento espacial ----------------- É constituído da constelação de satélites, com um número adequado, orbitando a terra em diferentes posições no espaço, com a finalidade de garantir que em qualquer posição na superfície da terra ou acima dela, pelo menos quatro satélites disponíveis enviando sinais. Os satélites são equipados com diversos instrumentos, podendo-se citar: relógio(s) atômicos de alta precisão que utilizam a frequência em diversas regiões de espectro eletromagnético de átomos para a medição do tempo; painéis para captar energia solar, transformando em energia elétrica para ser utilizada nos diversos equipamentos do satélite; computadores; e transmissores de rádios, para enviar os sinais à terra. É por meio dos sinais enviados, por cada satélite visível, que os receptores conseguem calcular, para época do seu envio, a pseudodistância :math:`(R)` e a posição orbital do satélite :math:`(\boldsymbol{\varrho}^{s})`. Segmento controle ----------------- É o responsável, em terra, pelos satélites GNSS funcionarem de forma adequada. Geralmente há uma estação de controle principal e outras que auxiliam no rastreamento dos satélites. No rastreamento dos satélites, por estas estações, faz-se a avaliação da qualidade de seus equipamentos, relógio(s), e órbita. Por exemplo, observado algum problema de erro do relógio do satélite, as estações de controle em terra fazem a correção. O segmento controle também é responsável ligar ou deligar a função de encriptar as informações enviadas quando isto se fizer necessário. Por exemplo, em época de guerra, para que os únicos usuários a terem informação de posição precisa, sejam os usuários de sua arma. Segmento usuário ---------------- São todos aqueles que têm a sua disposição um receptor GNSS. Podem ser classificados nas categorias de usuário e tipo de receptor. A categoria usuário pode ser, militar ou civil. Geralmente, o usuário civil, não vai ter acesso a todos serviços GNSS. Lembre-se que inicialmente o GNSS foi construído com finalidades militares. Os receptores, que são os equipamentos que vão captar e processar a informação emitidas pelos satélites, são constituídos basicamente de uma antena, processador para recebimento do sinal, relógio (geralmente de cristal) e dispositivo para visualização de informação. Eles podem apresentar diversas classificações de acordo com: o número de frequências que consegue rastrear; ao tipo de sinal que rastreia; a capacidade de rastrear diferentes GNSS. .. _Exemplos de GNSS: Exemplos de GNSS ================ GPS --- O Sistema de Posicionamento Global (:math:`\bf{GPS}`, :math:`\bf{G}\it{lobal}` :math:`\bf{P}\it{ositioning}` :math:`\bf{S}\it{ystem}`) é o mais conhecido GNSS. O seu desenvolvimento começou em 1973, tendo como responsável o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Entre os anos de 1978 a 1985 foram lançados em órbita 11 protótipos, denominados de Bloco I, para avaliação e testes. O primeiro satélite operacional foi lançado 1989, tornando o segmento espacial do GPS completo 1994, com 24 satélites em órbita, com satélites do Bloco II e IIA. No espaço eles estão distribuídos em 6 planos orbitais distintos, com um ângulo de :math:`55^{\circ}` na linha do Equador, a uma altitude de :math:`20.200\,\text{km}`, resultando em uma volta ao redor da terra a cada 12 horas. Atualmente o segmento espacial conta com 32 satélites, dos Blocos II/IIA/IIR/IIR-M. Informações atualizadas podem ser encontradas em `Navegation Center `_. Esta configuração de satélites permite que em qualquer hora do dia, de quatro a oito satélites estejam simultaneamente disponíveis na região. O segmento espacial segue em constante modernização. Atualmente em teste nos satélites do Bloco IIR-M, um segundo sinal para uso civil (L2C) e um sinal para uso militar (M). Os satélites GPS que foram recentemente lançados, fazem parte do Bloco IIF, que inclui uma nova frequência (L5). .. _seg_gps.png: .. figure:: /images/capitulo4/seg_gps.png :scale: 35 % :alt: seg_gps.png :align: center Características principais do GPS. Há dois tipos de serviços no GPS, o Serviço de Posicionamento Padrão (SPS, *Standard Positioning Service*) para uso civil e o Serviço de Posicionamento Preciso (PPS, *Precise Positioning Service*) para uso militar. Para compreender melhor estes serviços, voltaremos para os satélites, especificamente para os sinais enviados. Dentro dos satélites é gerada uma frequência fundamental de 10,23 MHz, e de forma coerente é derivada desta frequência duas ondas portadoras, L1 e L2, gerados pela multiplicação da frequência fundamental por 154 e 120, respectivamente. Desta forma, a frequência de L1 e L2 corresponde, a 1575,42 MHz e 1227,60 MHz, respectivamente. Modulado em L1 há o Código Aberto (C/A, *Coarse/Acquisition*) disponível para uso civil, apresentando aproximadamente 300 m de comprimento de onda. Um segundo código, denominado de código de Precisão (P, *Precision Code*), é modulado tanto em L1 como em L2 e é reservado para uso da arma Norte-Americana. O código C/A é o utilizado no Serviço de SPS, enquanto o P para o PPS. Adicionalmente a estes dados, são também enviados dados do erro do relógio do satélite e suas efemérides, nas duas ondas portadoras. O governo Americano pode fazer com que o posicionamento com GPS seja prejudicado sempre que se mostrar necessário, como em caso de guerra, danificando os sinais. As maneiras de danificar os sinais são, por meio da Disponibilidade Seletiva (SA, *Selective Availability*) e da Antifraude (A-S), *anti-spoofing*). Se a SA estiver ativada os dados do relógio do satélite e das efemérides enviadas são danificados, fazendo com que ocorra erro na pseudodistância calculada por C/A. Ela foi ativada em 1990, causando erro na posição horizontal e vertical de 100 m e de 156 m, respectivamente. Foi suspensa em maio de 2000, resultando no erro horizontal e vertical menores que 13 m e 22 m (95% de probabilidade), respectivamente. O A-S é responsável por desligar ou encriptar o código P, tornando-o acessível somente às pessoas habilitadas. Quando o código P, presente em L1 e L2, é encriptado, passa a ser denominado de código Y. O segmento controle é constituído de uma estação *master* (principal), localizada em Colorado Springs, Estado do Colorado, USA. As outras estações de controle ficam em diferentes localidades na terra, Hawai, Kwajalein no Pacífico, Ilha de Ascenção no Atlântico Sul, Diego Garcia no Oceano Pacífico e Cabo Canaveral. Elas são equipadas de tempo padrão atômico de precisão e receptores que realizam medidas contínuas de pseudodistância. Em algumas estações há antenas para transmitir e receber dados dos satélites. Na estação *master* as informações das estações são coletadas, e então calculadas as órbitas e parâmetros dos relógios dos satélites. As informações das efemérides e do relógio dos satélites, calculadas pela estação *master*, são retransmitidas aos satélites, pelo menos três vezes ao dia, para atualização. Segundo :cite:t:`Hofmann2008` até 2006 mais 11 estações monitoras se somaram ao segmento de controle GPS. GLONASS ------- O Sistema de Navegação Global por Satélite (:math:`\bf{GLONASS}\text{,}\,` :math:`\bf{GL}\it{Obal'naya}` :math:`\bf{NA}\it{vigatsionnaya}` :math:`\bf{S}\it{putnikovaya}` :math:`\bf{S}\it{istema}`) é o GNSS da Federação Russa. Teve os seus primeiros satélites lançados em meados dos anos 80. Em 1996 a constelação estava completa, com 24 satélites. Todavia, nos anos seguintes houve uma diminuição no número de satélites, caindo ao número mínimo em 2001, com no máximo 6 satélites em órbita e funcionando. Atualmente o GLONASS conta com 24 satélites `(aqui para dados atualizados) `_, sendo 21 em operação, e os demais estão de reserva, em manutenção ou em avaliação :cite:`GNSS:glonass`. Eles têm uma inclinação em relação ao equador de :math:`64,8^{\circ}`, orbitando a terra na altitude de 19.100 m, resultando em uma órbita ao redor da terra a cada 11 horas e 15 min e 44 s. Os planos orbitais estão separados em :math:`120^{\circ}` (três planos orbitais), estando os satélites separados dentro de cada plano em :math:`45^{\circ}`. .. _seg_glonass.png: .. figure:: /images/capitulo4/seg_glonass.png :scale: 35 % :alt: seg_glonass.png :align: center Características principais do GLONASS. O sistema GLONASS transmite os sinais em duas ondas portadoras de frequências L1, L2 e L3 `(ver aqui) `_: .. math:: \mathrm{L1} & =f_{0\mathrm{L1}}+k\Delta f_{\mathrm{L1}}\\ \mathrm{L2} & =f_{0\mathrm{L2}}+k\Delta f_{\mathrm{L2}}\\ \mathrm{L3} & =f_{0\mathrm{L3}}+k\Delta f_{\mathrm{L3}} em que: :math:`f_{0\mathrm{L1}}`, :math:`f_{0\mathrm{L2}}` e :math:`f_{0\mathrm{L3}}`, repectivamente :math:`1.602\,\text{MHz}`, :math:`1.246\,\text{MHz}` e :math:`1.201\,\text{MHz}`; :math:`\Delta f_{\mathrm{L1}}`, :math:`\Delta f_{\mathrm{L2}}` e :math:`\Delta f_{\mathrm{L3}}`em intervalos de frequência de :math:`0,5625\,\text{MHz}`, :math:`0,4375\,\text{MHz}` e :math:`0,4375\,\text{MHz}`; :math:`k-7,...,+6` são os canais de frequência. Nestas duas frequências são enviados códigos um para uso civil (C/A) e outra para uso militar (P), disponibilizando dois tipos de serviços, semelhante ao SPS e PPS do GPS. Segundo :cite:t:`GNSS:kaplan2006understanding`, o segmento controle do GLONASS é subdividido em: *i*) Sistema de controle central (SCC, *System control center*) localizado em Golitsyno-2 a 70 km de Moscou, um complexo militar, responsável pela coordenação de todo funcionamento do GLONASS; *ii*) Central de sincronização (*Central Synchronizer*) responsável pelo sistema de tempo do GLONASS, monitorando o relógio dos satélites; *iii*) estações de rastreio e comando (*Command and Tracking Stations*) onde fazem o rastreamento individual da trajetória dos satélites e enviam as atualizações; *iv*) estações de rastreamento por laser (*Laser Tracking Stations*), utilizadas para calibrar as medidas realizadas no rastreamento por radio frequência (item *iv*), sendo que cada satélite tem um refletor de laser para esta finalidade; e *v*) Controle de navegação em campo (*Navigation Field Control Equipment*), responsável por monitorar os sinais de navegação do GLONAS e, em caso de alguma anomalia ser detectada, é enviado um comunicado para o SCC. Galileu _______ :math:`\bf{Galileu}` é o nome do GNSS da União Europeia (EU, *European Union*). O nome, Galileu, é uma homenagem ao cientista italiano Galileu Galilei, que viveu entre os anos de 1564 e 1642, tendo realizado grandes contribuições às ciências, como, por exemplo, a melhoria do telescópio (`Maiores informações aqui `_). O sistema Galileu envolve uma parceria da Comissão Europeia (EC, *European Commission*) com a Agência Espacial Europeia (ESA, *European Space Agency*). A EC é responsável pelo dimensionamento político e os requisitos necessários para o sistema. Já a ESA, tem como responsabilidade a definição, o desenvolvimento e a validação do segmento espacial e de terra :cite:`GNSS:galileu`. O sistema Galileu teve sua concepção inicial nos anos 90, quando o GPS e o GLONASS já estavam quase em funcionamento completo. .. _seg_galileu.png: .. figure:: /images/capitulo4/seg_galileu.png :scale: 45 % :alt: seg_galileu.png :align: center Características principais do Galileu. Em outubro de 2021 haviam 22 satélites em funcionamento(Informações atualizadas `aqui `_. De acordo com :cite:t:`GNSS:kaplan2006galileu`, quando o sistema espacial estiver em plena operação terá de 30 satélites em três planos orbitais igualmente espaçados, cada plano com 9 satélites ativos e um de reserva, espaçados em :math:`40^\circ`. A órbita tem inclinação de :math:`56^\circ` no plano do equador :cite:`GNSS:galileu`. A altitude de :math:`23.222` km resultará em uma órbita a cada 14 horas. É esperado que existirá uma alta probabilidade (maior que 90%) que em qualquer posição e altitude, o usuário vá receber sinal de pelo menos 4 satélites. Segundo :cite:t:`Hofmann2008`, as frequencias enviadas pelo sistema Galileu são: E1 (:math:`1.575,420` MHz); E6 (:math:`1.278,750` MHz); E5 (:math:`1.191,795` MHz); E5a (:math:`1.176,450` MHz) e; E5b (:math:`1.207,140` MHz) São cinco os serviços que serão disponibilizados pelo sistema Galileu para os usuários :cite:`GNSS:european2010european2`: *i*) serviço aberto (*open service*), que tem como objetivo prover informação de posição, velocidade e tempo sem custo algum para o usuário; *ii*) serviço comercial (*commercial service*), que possibilitará o desenvolvimento de aplicações comerciais, terá precisão centimétrica; *iii*) navegação para segurança da vida (*Safety Of life navigation*), serviço para ser utilizado no transporte marítimo, na aviação e em trens; *iv*) serviço público regulado (*Public regulated navigation*), um serviço em que o sinal é encriptado e apenas os usuários autorizados terão acesso a este sinal; e *v*) serviço de busca e resgate (*Search and Rescue Service*), utilizado para localização e resgate de usuários que utilizam rádio sinalizadores. Segundo :cite:t:`GNSS:kaplan2006galileu`, o sistema Galileu tem dois segmentos de controle principal em terra, o segmento de controle em terra (GCS, *Ground Control Segment*) que irá controlar e comandar a constelação de satélites e, o segmento de missão em terra (GMS, *Ground Mission Segment*), responsável por operar o sistema de navegação e a determinação da integridade, assim como disseminar os serviços do Galileu. Estes dois segmentos se localizam em Fucino (Itália) e em Oberpfaffenhofen (Alemanha). Haverá também uma rede de estações (GSS, GALILEO *Sensor Stations*), para realização de medidas de distância e monitoramento dos sinais dos satélites; uma rede de telemetria, rastreamento e controle (TT&C, *Telemetry, tracking and control*); e uma rede de estações para envio de informação (ULS, *uplink stations*); uma rede de intercomunicação de alta performance. Outros GNSS ----------- Além do GNSS americano, russo e europeu, outros países também desenvolvem o seu próprio sistema. O principal motivo para o desenvolvimento de novos GNSS é o de ter independência dos outros sistemas que, como visto, a permissão de uso depende das nações que os construíram. Abaixo descreve-se um resumo do sistema chinês (Beidou-2/Compass, e dos regionais, o japonês (QZSS) e o indiano (IRNSS). O sistema Beidou-2/Compass, desenvolvido pela República da China, tem como predecessor o sistema Beidou-1, que teve seus primeiros estudos nos anos 80, e o primeiro satélite em órbita no ano 2000 e o terceiro e último, em 2003. O Beidou-1 funciona regionalmente. Diferentemente do GPS, Galileu e GLONASS, ele é geoestacionário, fazendo com que apenas uma parte da terra tenha disponibilidade dos sinais destes satélites, entre as latitudes de :math:`5^\circ` N a :math:`55^\circ` N e as longitudes entre :math:`70^\circ` E e :math:`140^\circ` E. O Beidou-2 será global, com o segmento espacial híbrido, tendo 5 satélites geoestacionário e 30 orbitando a terra. Terá, assim como o GPS, um serviço aberto para uso civil e um outro restrito. Atualmente estão em operação 42 satélites em outubro de 2021 (dados atualizados `aqui `_). O sistema de posicionamento japonês é denominado de sistema de satélite quase zenital (QZSS, :math:`\bf{Q}\it{uasi-}\bf{Z}\it{enith}` :math:`\bf{S}\it{atellite}` :math:`\bf{S}\it{ystem}`), desenvolvido pela agência de exploração aeroespacial do Japão (JAXA, *Japan Aerospace Exploration Agency*). O QZSS oferece seus serviços na região compreendendo o Japão, sul da Ásia e Oceania. Os satélites QZSS enviam os sinais à terra na direção quase zenital, o que aumenta sua disponibilidade em áreas com prédios ou morros. Funcionará complementando o GPS, fazendo com que mais sinais estejam disponíveis, uma vez que o número de satélites na região será maior, pois soma-se ao GPS o QZSS. Desta forma, a precisão do posicionamento será melhorada. Os satélites QZSS transmitem sinais semelhantes ao GPS (L1C/A, L1C, L2C e L5) (Informações atualizadas `aqui `_). O primeiro satélite foi lançado em setembro de 2011, está a uma altitude entre :math:`32.000` km a :math:`40.000` km, e tem sua longitude central de :math:`135^{\circ}` E. O QZSS além do segmento espacial, consta do: segmento de controle, que compreende estações de monitoramento; uma estação de controle principal; estação de controle e rastreamento; e estação de administração do tempo :cite:`GNSS:QZSS`. O sistema de navegação por satélite indiano (IRNSS, *Indian Regional Navigational Satellite System*) constituído de 7 satélites, sendo que o primeiro tem a estimativa de ser lançado em 2012-13 :cite:`GNSS:IRNSS_indiano`. Como o sistema GPS, serão disponibilizados os serviço SPS e PS. Observáveis e fontes de erro ============================ Os satélites no espaço enviam os sinais para terra que são captados pelos receptores, sendo a distância, na verdade pseudodistância, entre o sinal emitido pelo satélite e recebido pelo sensor calculada, ou por código (medida de tempo) ou pela medida de fase da onda portadora. A distância calculada tem várias fontes de erro, por exemplo, a falta de sincronismo de tempo entre o relógio do receptor e do satélite, resultando distâncias que não correspondem à distância geométrica do satélite ao receptor. Desta maneira as distâncias calculadas pelos receptores são denominadas de pseudodistâncias como já visto na seção :ref:`posicionamento_satelite`. .. _Pseudodistância por código: Pseudodistância por código -------------------------- Lembre-se que, por exemplo, no GPS há o envio do código C/A, onde são transmitidas várias informações, dentre elas a hora em que o sinal foi emitido pelo satélite, :math:`t^{s}(sat)`. Esta informação chega ao receptor, depois de viajar pelo espaço e passar pela atmosfera. A hora de chegada do sinal no receptor denominado de :math:`t_{r}(rec)`. O erro dos relógios dos satélites e do receptor ao sistema de hora GPS são denominados de :math:`\delta^{s}` e :math:`\delta_{r}`, respectivamente. Considere que no sistema de tempo sem erros, :math:`t^{s}` e :math:`t_{r}`, seria a hora de envio do sinal pelo satélite e a hora de recebimento pelo receptor. Então, :math:`t_{r}(rec)=t_{r}-\delta_{r}` e :math:`t^{s}(sat)=t^{s}-\delta^{s}`. O lapso de tempo entre o envio do sinal e a chegada ao receptor será: .. math:: t_{r}(rec)-t^{s}(sat)=(t_{r}-\delta_{r})-(t^{s}-\delta^{s})=\Delta t+\Delta\delta, em que: :math:`\Delta t=t_{r}-t^{s}` e :math:`\Delta\delta=\delta_{r}-\delta^{s}`. Se multiplicar a diferença de tempo, :math:`{t_r(rec)-t^s(sat)}`, pela velocidade da luz, :math:`c`, temos a pseudodistância (:math:`R`) determinada pelo código: .. math:: R=c(t_{r}(rec)-t^{s}(sat))=c\Delta t+c\Delta\delta=\varrho+c\Delta\delta em que :math:`\varrho` é a distância geométrica (ver Figura :numref:`fig_GNSS_posicion`), na época de envio do sinal (:math:`t^{s}`), entre o satélite e o receptor. O erro no cálculo da pseudodisdância por código é de cerca de 1\% da comprimento de onda em que o código é enviado. No sistema GPS, o C/A tem comprimento de onda de :math:`\approx300\,\text{m}`, o que resultaria em um erro de :math:`3` m. Já o código P, tem comprimento de onda de :math:`\approx30\text{ m}`, o que resultaria em um erro da pseudodistância de :math:`0,3` m na medida de :math:`R`. .. _Pseudodistância por fase da onda portadora: Pseudodistância por fase da onda portadora ------------------------------------------ Uma outra maneira de medir a distância é por meio da fase de onda portadora. Esta medida apresentará maior precisão no posicionamento. Nesta técnica, em cada época em que o sinal é transmitido, mede-se a diferença de fase que ocorreu entre a fase do sinal enviada pelo satélite e a fase observada no receptor. Matematicamente é dada por: .. math:: \Phi_{s}^{r}(t)=\frac{1}{\lambda^{s}}\varrho_{s}^{r}(t)+N_{r}^{s}+\frac{c}{\lambda^{s}}\Delta\delta_{r}^{s}(t) em que: :math:`\Phi_{s}^{r}(t)` é a medida de fase, sendo expressa em ciclos; :math:`\lambda^{s}` é o comprimento de onda da portadora; :math:`\varrho_{s}^{r}(t)` é a mesma pseudodistância estimado pelo código; :math:`N_{r}^{s}` é a denominado de ambiguidade, corresponde ao número inteiro de comprimentos de onda ou número de ciclos inicial, entre o satélite e o receptor; :math:`c` é a velocidade da luz; e :math:`\Delta\delta_{r}^{s}=\delta_{r}-\delta^{s}`. O valor :math:`N_{r}^{s}` inicialmente é desconhecido, contudo com o rastreamento de outras observações no tempo, sem que ocorra a perda de sinal, pode-se determiná-la. Erros nas observações --------------------- Do que foi visto anteriormente, para o GNSS realizar as medidas de posição, tem-se: os satélites enviando sinais com várias informações, como o tempo e as efemérides; estes sinais viajam pelo espaço, passando pela atmosfera; e enfim chegam ao receptor, que também tem um relógio. Desta forma, as fontes de erros do GNSS são devidos aos satélites (relógio e órbita), à propagação do sinal (refração devido a passagem do sinal pela ionosfera e troposfera) e ao receptor (erro do relógio, erro do centro de fase da antena e o multicaminhamento). Alguns erros podem ser modelados e outros eliminados, por exemplo, por meio de medidas simultâneas com dois receptores. Segue uma breve discussão dos erros. .. _Erro devido ao satélite: Erro devido ao satélite ----------------------- - **Relógio do satélite**: o erro devido ao relógio do satélite é modelado, por: :math:`\delta^{s}(t)=a_{0}+a_{1}(t-t_{0})+a_{2}(t-t_{0})^{2}`, em que: :math:`\delta^{s}(t)` é o erro do satélite na época :math:`t;` :math:`t_{0}` é a época de referência do relógio do satélite; :math:`a_{0},\,a_{1}` e :math:`a_{2}` são parâmetros do modelo, sendo enviados na mensagem do satélite, juntamente com :math:`t_{0}`. Se for utilizado o posicionamento relativo este erro pode ser anulado (ver :ref:`sec_Tipos-de-posicionamento`). - **Órbita do satélite**: devido a variação da força gravitacional da terra e da variação das marés, por exemplo, as efemérides enviadas pelos satélites, que são utilizadas para determinação de suas posições, podem não resultar nas suas corretas posições no espaço. O erro da posição da órbita é avaliado pelas estações de controle em solo, e são disponibilizadas para pós-processamento, minimizando este erro. Dependendo do nível de precisão das órbitas que se deseja, pode-se levar até duas semanas para estarem disponíveis :cite:`WOLF`. Outra forma de anular este erro é por meio do posicionamento relativo (ver :ref:`Posicionamento relativo`). Erro devido à propagação do sinal --------------------------------- A velocidade de propagação da radiação eletromagnética depende do índice de refração do meio em que ela viaja, sendo no vácuo :math:`c=299.792,458\,\text{km s}^{-1}`. Inicialmente, ao ser transmitida pelo satélite, ela viaja no vácuo até chegar na atmosfera. As camadas atmosféricas que tem impacto nos sinais que são enviados pelos GNSS são, a troposfera e a ionosfera. A troposfera é a camada mais próxima a superfície terrestre chegando até à altitudes entre 14 km-18 km, já a ionosfera está situada na camada entre 70 km-1.000 km de altitude. Este problema pode ser minimizado com receptores que trabalham em duas frequências (e.g. GPS, L1 e L2), em que a refração atmosférica poderá ser modelada. Como o erro da refração aumenta com o comprimento da camada atmosférica que o sinal vai atravesar, pode-se configurar o receptor para evitar satélites que estajam próximos à linha do horizonte, geralmente aqueles abaixo de :math:`20^{\circ}` da linha do horizonte, minimizando a influência da atmosfera. Este ângulo é denominação de ângulo de máscara de elevação do satélite (*satellite angle mask*). Na :numref:`GNSSmaskangle.png` é apresentado um receptor que está configurado para receber sinais daqueles satélites que estiverem acima de :math:`20^{\circ}` da linha do horizonte. .. _GNSSmaskangle.png: .. figure:: /images/capitulo4/GNSSmaskangle.png :scale: 35 % :alt: GNSSmaskangle.png :align: center Princípio da utilização de máscara de elevação pera prevenir satélites próximos a linha do horizonte. .. _Erro devido ao receptor: Erro devido ao receptor ----------------------- #. **Antena** - **Centralização do centro da antena**: em levantamento de precisão, a antena do receptor GNSS terá que estar centralizada sobre um ponto, geralmente materializado por um marco. A vertical do centro da antena é materializada por um bastão, apoiado por um tripé. Deve-se fazer a centralização de forma cuidadosa, uma vez todo erro cometido devido a falta de centralização será transferido para o ponto medido. - Para medidas de altitude geométrica (ver :ref:`Coordenada geodésica`) é necessário realizar a **medida da altura da antena**, distância vertical entre o centro da antena e o centro do marco. Esta medida geralmente é realizada de forma inclinada, sendo que posteriormente é corrigida para distância vertical, ou por meio de software do equipamento, ou por simples cálculo. - O centro de fase da antena, definido como o centro eletrônico da antena, varia com a orientação e a frequência do sinal. É necessário que ele corresponda ao centro físico da antena, sendo que nem sempre isto ocorre. Para levantamentos de alta precisão é necessário conhecer este desvio para correção. Procedimento para esta avaliação é encontrado em :cite:t:`Hofmann2008`. #. **Erro do relógio**: os relógios presentes nos receptores GNSS não são de alta precisão como os presentes nos satélites, não apresentando sincronismo com o sistema de tempo do GNSS. Este problema é resolvido com a utilização da observação de quatro satélites simultaneamente. #. **Multicaminhamento**: o multicaminhamento é definido como sendo as réplicas de sinal que o receptor recebe devido ao sinal ter percorrido diferentes caminhos. Na :numref:`fig_GNSS_multipath` é apresentada a concepção básica do que é o efeito multicaminhamentoem uma determinada época. Nesta figura há o sinal que percorre o caminho direto do satélite ao receptor e dois sinais que são recebidos pelo receptor por caminho indireto, sinais refletidos de superfícies refletoras, a obra de construção civil e a superfície terrestre. A consequência do multicaminhamento é a imprecisão da medida de distância satélite-receptor (:math:`\varrho`). O multicaminhamento pode ser de tal grandeza que o receptor não possa mais contar com a informação de determinado satélite, para o posicionamento do ponto. Maneiras para mitigar o multicaminhamento podem ser encontrados em :cite:t:`GNSS:kaplan2006Multipath`. Pode-se citar, por exemplo, como uma maneira simples para minimizar o efeito do multicaminhamento devido à superfície refletora, a instalação da antena próxima a superfície. .. _fig_GNSS_multipath: .. figure:: /images/capitulo4/GNSSmultipath.png :scale: 35 % :alt: GNSSmultipath.png :align: center Multicaminhamento no GNSS. .. _sec_Tipos-de-posicionamento: Tipos de posicionamento ======================= Terminologia ------------ Não há um concenso quanto terminologia utilizada às diferentes técnicas de posicionamento GNSS. Aqui será utilizada a terminologia adotada por :cite:t:`Hofmann2008`. No posicionamento, as medidas de pseudodistância podem ser obtidas de duas formas, por meio dos **códigos** (ver seção :ref:`Posicionamento por ponto`) ou da medida de **fase da onda portadora** (ver :ref:`Pseudodistância por fase da onda portadora`). As medidas por código tem precisão em nível de metros, enquanto pela medida da onda portadora tem precisão de milímetros. A desvantagem das medidas de fase da onda portadora é a solução da ambiguidade :math:`(N)`. Quando na medida de posição é utilizado um único receptor, recebendo sinais de pelo menos quatro satélites, ela é dita de **posicionamento por ponto**, sendo este o termo que será utilizado neste texto. O posicionamento por ponto também pode ser denominado de **posicionamento absoluto**, **posicionamento por ponto simples** ou **posicionamento por ponto absoluto**. No **posicionamento relativo**, empregam-se dois receptores, recebendo sinais dos mesmos satélites simultaneamente. Estas medidas então são combinadas, melhorando a precisão do levantamento. A posição de um ponto tem que ser conhecida, sendo então calculada a posição do outro ponto relativa a esta. O **posicionamento diferencial** é realizado também a partir de dois receptores, que fazem observações simultâneas aos mesmos satélites, todavia é feita tendo como base as pseudodistâncias corrigidas. Como um receptor é fixo em um ponto de coordenada conhecida, calcula-se as correções das pseudodistância a este ponto e estas correções, em determinada época, são enviadas em tempo real para o(s) outro(s) receptores. O posicionamento é dito **estático**, se não há movimentação do receptor durante posicionamento. Por outro lado, se o receptor está em movimento, o posicionamento é dito **cinemático**. O posicionamento pode ser realizado em **tempo real**, quando os resultados são processados e apresentados imediatamente. Já o posicionamento **pós-processado**, como o próprio nome diz, só serão conhecidas as posições depois de processados. Ou seja, neste caso, os dados são coletados em campo e, no escritório, são submetidos ao processamento. O método de pós-processamento é o método mais utilizado nos posicionamentos relativos, onde as medidas dos dois receptores são combinadas e processadas depois da coleta em campo. .. _Posicionamento por ponto: Posicionamento por ponto ________________________ No posicionamento por ponto, utiliza-se apenas um receptor, sendo que este deve estar recebendo sinais de pelo menos 4 satélites para calcular as coordenadas tridimensionais (:numref:`GNSSposiabsoluto`). O posicionamento por ponto pode se dar por meio dos códigos (ver :ref:`Pseudodistância por código`) ou pela medida de fase da onda portadora (ver :ref:`Pseudodistância por fase da onda portadora`). A precisão deste tipo de posicionamento depende da qualidade do sinal. No posicionamento por ponto no GPS, utilizando o código C/A, antes de maio de 2000, com disponibilidade seletiva (SA) em funcionamento, a precisão era em torno de 100 m na horizontal e 156 m na vertical, ao nível de 95% de probabilidade :cite:`WOLF` [p. 346]. Quando ela foi desabilitada, a precisão aumentou, para velares menores que 13 m na horizontal, e menores que 22 m na vertical, a 95% de probabilidade :cite:t:`Hofmann2008` [p. 317], sendo esta a precisão obtida atualmente. .. _GNSSposiabsoluto: .. figure:: /images/capitulo4/GNSSposiabsoluto.png :scale: 35 % :alt: GNSSposiabsoluto.png :align: center Concepção do posicionamento por ponto. Pode-se obter coordenadas com maior precisão com um único receptor pelo método denominado de **posicionamento por ponto preciso**. Para tanto, deve-se trabalhar com: *i*) as efemérides precisas dos satélites, para determinação de suas posições precisas dos satélites; *ii*) receptor com frequência dupla que permitirá eliminar a influência da ionosfera. .. _Posicionamento_diferencial: Posicionamento diferencial (DGNSS) ---------------------------------- O posicionamento diferencial GNSS (DGNSS) é aquele em que se utilizam pelo menos 2 receptores, sendo um fixo na estação base (*base station*), também denominada de estação de referência, e o(s) outro(s) fixo(s) ou móvel(is) (*rover*) (:numref:`GNSSposiDGNSS`). Os receptores observam, em determinada época, os mesmos satélites. A estação base tem suas coordenadas conhecidas. Logo, com o receptor fixo a este ponto, é possível calcular os erros nas medidas de pseudodistância de cada um dos satélites a esta estação. Como os outros receptores se encontram próximos à estação base (distância de apenas alguns quilômetros), assume-se que os erros nas pseudodistâncias sejam os mesmos. Estas informações são enviadas por meio de transmissor aos outros receptores para realizar, em tempo real, a correção de suas respectivas pseudoditâncias aos satélites, e assim calcular as suas coordenadas com maior precisão. O DGNSS pode ser realizado por meio de receptores que trabalham com códigos ou com medidas de fase da onda portadora. Valores de precisão do levantamento DGNSS são apresentados na Tabela abaixo :cite:`Hofmann2008` [p. 437]. Quando se utiliza as medidas de fase da onda portadora, este posicionamento é denominado de levantamento cinemático em tempo real (*real-time kinematic*, RTK) :cite:`WOLF`. .. _GNSSposiDGNSS: .. figure:: /images/capitulo4/GNSSposiDGNSS.png :scale: 35 % :alt: GNSSposiDGNSS.png :align: center Concepção do posicionamento relativo. .. table:: Precisão DGNSS. :header-alignment: lcc :column-alignment: lcc =============== ============================== ======================== Observável Separação das estações Precisão horizontal =============== ============================== ======================== Código :math:`1.000\,\mathrm{km}` :math:`<10\,\mathrm{m}` Onda portadora :math:`\sim 10\,\mathrm{km}` :math:`<0,1\,\mathrm{m}` =============== ============================== ======================== .. _Posicionamento relativo: Posicionamento relativo ----------------------- No posicionamento relativo (:numref:`GNSSposiarelativo`) o que se calcula é a distância relativa entre o receptor que se encontra fixo na estação de coordenada conhecida (:math:`A`) e o que se encontra na posição desconhecida, :math:`B`, ou seja, :math:`\Delta X_{AB},\,\Delta Y_{AB}\,\text{e}\,\Delta Z_{AB}`, denominado de vetor base. Como a posição de :math:`A` é conhecida (:math:`X_{A},\,Y_{A},\,Z_{A}`), a posição de :math:`B` será: .. math:: X_{B} & =X_{A}+\Delta X_{AB}\\ Y_{B} & =Y_{A}+\Delta Y_{AB}\\ Z_{B} & =Z_{A}+\Delta Z_{AB} Neste método geralmente são utilizadas as medidas de diferença de fase juntamente com o código. Requer que os mesmos satélites sejam observados pelos receptores da estação base e no móvel durante o período de aquisição dos dados. .. _Posicionamento relativo estático: Posicionamento relativo estático -------------------------------- O posicionamento dito como **posicionamento relativo estático** ocorre quando os dois receptores ficam estacionados por um tempo suficientemente longo para resolver o problema das medidas relativas entre eles. Este tipo de posicionamento é o utilizado nos levantamentos geodésicos. O tempo para coleta dos dados depende do número de fases medidas e da distância que separa os receptores. Sugestões de tempo para obtenção da posição é apresentada na Tabela abaixo, sendo considerado pelo menos quatro satélites visíveis, condição atmosférica normal e boa geometria dos satélites :cite:`Hofmann2008` [p. 438]. Segundo :cite:`WOLF` [p. 361], a precisão deste tipo de posicionamento é de aproximadamente :math:`\pm(3\,\text{mm}+1\,\text{ppm})`. .. table:: Tempo para aquisição da posição pelo método relativo estático. :header-alignment: lcc :column-alignment: lcc =================== ======================================== ========================================= Receptor (# fases) Estático (m) Estático rápido =================== ======================================== ========================================= Simples frequência :math:`\text{30 min + 3 min km}^{-1}` :math:`\text{20 min + 2 min km}^{-1}` Dupla frequência :math:`\text{20 min + 2 min km}^{-1}` :math:`\text{10 min + 1 min km}^{-1}` =================== ======================================== ========================================= .. _Posicionamento relativo pseudo-cinemático: Posicionamento relativo pseudo-cinemático ----------------------------------------- O **posicionamento relativo pseudo-cinemático** (*Pseudokinematic relative positioning*) é aquele em que as posições relativas dos pontos a serem determinadas são ocupadas mais de uma vez com o receptor :math:`B`. Mais uma vez, um outro receptor estacionado em ponto de coordenadas conhecidas :math:`(A)`. O receptor :math:`B` fica estacionado por uns 5 min em cada ponto. Depois de aproximadamente uma hora, a posição é novamente reocupada por :math:`B`. Caso o levantamento não seja bem planejado a reocupação dos pontos pelo receptor pode passar a ser um problema. .. _GNSSposiarelativo: .. figure:: /images/capitulo4/GNSSposiarelativo.png :scale: 35 % :alt: GNSSposiarelativo.png :align: center Concepção do posicionamento relativo. .. _Posicionamento relativo cinemático: Posicionamento relativo cinemático ---------------------------------- O **posicionamento relativo cinemático** (*kinematic relative positioning*) é aquele em que é possível determinar as posições de um maior número pontos, no menor tempo, com grande precisão. É necessário que a ambiguidade inicial (ver :ref:`Pseudodistância por fase da onda portadora`) seja determinada, o que pode ser realizado por diferentes técnicas. Por exemplo, se as coordenadas iniciais dos receptores forem conhecidas, então :math:`\Delta X_{AB},\,\Delta Y_{AB},\,\Delta Z_{AB}` (ver :ref:`Posicionamento relativo`) também serão. Então, estaciona-se os receptores nestes ponto e a ambiguidade é determinada depois de um intervalo curto de tempo (2 a 15 min). Um outro método é o de determinar a ambiguidade com o receptor :math:`B` em movimento, método denominado de *on-the-fly*. Neste método é necessário trabalhar com receptor de dupla frequência, sendo a ambiguidade resolvida em cerca de 2 min para receptores separados em 20 km. Uma limitação deste método é que durante a coleta de dados não se pode perder os sinais GNSS. Caso ocorra perda de sinal iniciar novamente o sistema para determinação da ambiguidade. Um método baseado no posicionamento relativo cinemático, mas que apresenta maior precisão, pois nos pontos de posições desconhecidas, o receptor :math:`B` permanecerá parado por poucos segundos, é denominado de pare-e-continue (*stop-and-go*) ou semi-cinemático (*semikinematic*). A precisão é aumentada conforme o tempo de parada se torna mais longo. Para vetor base de 20 km a precisão é centimétrica. .. admonition:: Sugestão de aula prática **Levantamento de área com equipamento GNSS de navegação** *Objetivo*: Levantar uma poligonal em campo com o auxílio de GNSS de navegação, para posteriormente desenhar no *AutoCad* ou no *Google Earth Pro* Como roteiro: - apresentar uma visão geral do receptor que será utilizado: ântena, bateria, visor, teclado de comandos, janelas de configuração e coleta de dados, etc; - configurar para o Datum WGS84; - configurar para o sistema de projeção UTM; - apresentar os modos de salvar as coordendas dos pontos; - mostrar as medidas de qualidade da coordenada (e.g. precisão, HDOP, PDOP) - em campo, coletar as coordenadas dos vértices da poligonal; - desenhar no *AutoCad* ou no *Google Earth Pro*. Ao final o aluno deve apresentar um relatório sobre o levantamento e, suas considerações sobre a qualidade do levantamento de uma área, quando um receptor GNSS de navegação é utilizado. Exercícios ========== :exem:`1)` Quais são os segmentos do GNSS? Explique-os? ---- :exem:`2)` Explique como os GNSS calculam as coordenadas de um ponto. ---- :exem:`3)` Como são denominados os GNSS americano, o da comunidade europeia e o russo? Comente cada um deles. ---- :exem:`4)` O posicionamento GNSS pode ser por ponto, diferencial ou relativo. Comente. :exem:`5)` Quais são as fontes de erros nas medidas de pseudodistância do GNSS? ---- :exem:`6)` O GNSS calcula a altitude geométrica ou ortométrica? Explique. ---- :exem:`7)` A altitude medida pelo GPS é em relação a qual elipsóide? :exem:`8)` Sobre um marco geodésico do IBGE de coordenada :math:`E=595.690,0\,\text{m}` e :math:`N=9.433.750,0\,\text{m}` (fuso 24M) foi colocado um receptor GNSS, e este mostrou a coordenada :math:`E= 595.650,0\,\text{m}` e :math:`N= 9.433.720,0\,\text{m}` (fuso 24M). A coordenada do receptor está a NE, SE, SW ou NW com relação à coordenada do marco? Explique. :exem:`Resp.`: SW.