.. raw:: html
.. role:: exem
.. raw:: html
.. role:: solucao
.. raw:: html
.. role:: blue
.. _RST Capitulo 7:
Capitulo 7: Ângulos
*******************
Introdução
==========
Para a determinação das coordenadas de pontos topográficos, uma vez
na área do levantamento, e com o auxílio de teodolitos/estações totais,
medem-se os ângulos e as distâncias entre alinhamentos. Neste capítulo
analisaremos os ângulos medidos, que podem ser, horizontais (seção
:ref:`Ângulo horizontal`) ou verticais (seção :ref:`Ângulo vertical`),
que são medidos em relação ao plano horizontal e vertical, respectivamente.
Para os cálculos das coordenadas dos pontos, há a necessidade de conhecer
(calcular) a direção dos alinhamentos em relação ao meridiano utilizado,
ou seja, os azimutes ou rumos, sendo também vistos neste capítulo.
Medidores de ângulos
====================
Na topografia, são utilizados bússolas, teodolitos ótico mecânicos,
teodolitos eletrônicos e estações totais para a medição dos ângulos.
Os ângulos que se podem medir com estes equipamentos são de dois tipos,
o horizontal e o vertical,
exceção da bússola, onde pode-se medir apenas ângulos horizontais.
Nos teodolitos eletrônicos e nas estações totais, os ângulos são medidos
eletronicamente, podendo-se armazená-los automaticamente na memória
do equipamento. Já nos teodolitos ótico mecânicos, tem-se que fazer
a leitura do ângulo no círculo horizontal e vertical graduado (limbo),
anotando-a na caderneta de campo.
Na :numref:`fig_esquemateodo.png` é apresentado um esquema dos limbos
vertical e horizontal de um teodolito ótico mecânico. Quando o equipamento
está nivelado sobre um ponto, o seu eixo vertical coincide com a linha
da vertical do lugar, contendo o ponto estacionado e o centro ótico
do equipamento :math:`(O)`. O círculo horizontal é normal ao eixo vertical.
Já o círculo vertical, tem direção paralela ao eixo vertical e o seu
centro coincide com o eixo horizontal do instrumento. Na maioria dos
nossos equipamentos, os ângulos são medidos na unidade de graus, de
:math:`0^\circ` a :math:`360^\circ`, no sentido horário. O :math:`0^\circ` do círculo
horizontal, pode ser fixo em qualquer direção, ficando independente
do movimento da luneta. Com o círculo horizontal, o ângulo horizontal
entre dois pontos qualquer pode ser medido :math:`(\alpha)`, onde os procedimentos
para a sua medição são apresentados na seção :ref:`Método das direções`.
.. _fig_esquemateodo.png:
.. figure:: /images/capitulo7/fig_esquemateodo.png
:scale: 75 %
:alt: fig_esquemateodo.png
:align: center
Esquema de um teodolito com os círculos vertical e horizontal.
Com relação ao ângulo vertical, quando o equipamento está nivelado,
o :math:`0^\circ` do círculo vertical tem direção do zênite ou do plano
horizontal que passa pelo centro ótico da luneta, respectivamente, ângulo zenital e de inclinação
:math:`(z)`. Maiores informações sobre os ângulos verticais podem ser encontrados
na seção :ref:`Ângulo vertical`.
.. _Ângulo horizontal:
Ângulo horizontal
=================
Alinhamento de vante e ré
-------------------------
A :numref:`fig_introangulo.png` apresenta a sequência de vértices
:math:`\mathrm{EAB}`, onde é realizada a medida do ângulo horizontal, no sentido horário,
:math:`\alpha`, no vértice :math:`\mathrm{A}`. Para a medida de :math:`\alpha`, o ponto :math:`\mathrm{E}` é o
ponto inicial (**ponto de ré**), onde se realiza a **visada de ré**,
enquanto e :math:`\mathrm{B}`, é o ponto final (**ponto de vante**), onde
é realizada a **visada de vante**. Aos alinhamentos que correspondem
ao início e ao final das medidas, denominamos de alinhamentos de **ré**
e **vante**. Para este exemplo, :math:`\mathrm{AE}` é o alinhamento de ré e :math:`\mathrm{AB}`
o de vante. O ângulo :math:`\alpha` pode ser calculado subtraindo a medida
do ângulo horizontal de vante da medida de ré.
.. _fig_introangulo.png:
.. figure:: /images/capitulo7/fig_introangulo.png
:scale: 55 %
:alt: fig_introangulo.png
:align: center
Leitura do ângulos internos :math:`\mathrm{EAB}`.
Medição do ângulo horizontal
----------------------------
Existem várias formas de medição dos ângulos horizontais, a mais simples
é apresentada na :numref:`fig_introangulo.png`, em que o ângulo :math:`\alpha`
é determinado de apenas uma leitura no ponto de ré e no de vante.
Todavia, devido aos erros instrumentais, deve-se considerar a média
de várias medidas de :math:`\alpha`, com a luneta na posição direta e inversa
(ver seção :ref:`Ângulo vertical`).
Neste texto será apresentado o método das direções, que é o previsto
para ser utilizado pela :cite:t:`NBR13133` na medição de ângulos.
Para outros métodos, pode-se consultar, :cite:t:`loch`, :cite:t:`golcalves` e :cite:t:`WOLF`.
.. _Método das direções:
Método das direções
^^^^^^^^^^^^^^^^^^^
Considere os alinhamentos apresentados na :numref:`fig_introangulo.png`.
O método das direções tem as seguintes etapas quando se trabalha com
estação total:
a. equipamento é centralizado e nivelado em A, ponto da estação;
b. com a luneta na posição direta (PD), é realizada uma aproximação em E, ponto de ré. Com o movimento horizontal e vertical travados, e com o auxílio dos parafusos de movimento micrométrico, é realizada a visada exata ao centro prisma;
c. o ângulo horizontal em E pode ser zerado, ou o seu valor lido, teremos :math:`(L_{\mathrm{PD}}^\mathrm{r\acute{e}})`;
d. com o movimento horizontal e vertical solto, faz-se uma visada aproximada em B, ponto de vante, e com os parafusos micrométricos, depois que os movimentos horizontal e vertical estiverem travados, faz-se a aproximação precisa ao centro do prisma, anotando-se o ângulo horizontal :math:`(L_{\mathrm{PD}}^\mathrm{vante})`. Se na etapa anterior o ângulo horizonal foi zerado, o ângulo horizontal em B corresponderá a :math:`\alpha` na posição direta, :math:`\alpha_{\mathrm{PD}}`. Se o ângulo horizontal na etapa anterior não foi zerado, o valor de :math:`\alpha_{\mathrm{PD}}` será dado pela diferença dos ângulos horizontais de vante e de ré, no nosso caso, :math:`\alpha_{\mathrm{PD}}=L_{\mathrm{PD}}^\mathrm{vante}-\mathrm{L}_{\mathrm{PD}}^\mathrm{r\acute{e}}`;
e. repete-se as estapas b a d, :math:`n` vezes;
f. coloca-se a luneta na posição inversa (PI), e repete-se as etapas de b a d mais :math:`n` vezes, onde teremos :math:`n` valores de :math:`\alpha` com a luneta na PI, :math:`\alpha_{\mathrm{PI}}`;
g. o valor médio de :math:`\alpha\,(\bar{\alpha})`, será a média de todas as medidas na posição direta e inversa:
.. math::
\bar{\alpha} &= \frac{\sum_{i=1}^n\left(\alpha_{\mathrm{PD},i}+\alpha_{\mathrm{PI},i}\right)}{2n}\\
&=\frac{\sum_{i=1}^n\left(L_{\mathrm{PD,}i}^\mathrm{vante}-L_{\mathrm{PD,}i}^\mathrm{r\acute{e}}+L_{\mathrm{PI,}i}^\mathrm{vante}-\mathrm{L}_{\mathrm{PI,}i}^\mathrm{r\acute{e}}\right)}{2n}
Na :numref:`fig_metododasdirecoes.png` é apresentado um exemplo de
cálculo de um ângulo horizontal entre dois alinhamentos pelo método
das direções. São realizadas duas repetições, com a luneta na posição
direta e inversa. Na posição direta, o ângulo horizontal no ponto
de ré foi zerado, o mesmo não acontecendo quando a posição era a inversa.
Se trabalhando com estação total, o ângulo horizontal no ponto de
ré, quando a luneta está na posição inversa, também poderia ter sido
zerado. Este último procedimento, zerar o ângulo horizontal no ponto
de ré quando a luneta está na posição inversa, não é realizado quando
utiliza-se o teodolito do tipo ótico mecânico. Uma vez que o método
das direções visa medir os ângulos horizontais em diferentes posições
do limbo destes equipamentos. Para maiores informações, consultar
:cite:t:`NBR13133`, página 3.
.. _fig_metododasdirecoes.png:
.. figure:: /images/capitulo7/fig_metododasdirecoes.png
:scale: 45 %
:alt: fig_metododasdirecoes.png
:align: center
Exemplo de anotações para medida de ângulo pelo método das direções.
Ângulos horizontais à direita
^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^
Os ângulos horizontais medidos entre os alinhamentos são na grande
maioria os ângulos internos e
de deflexão. Na :numref:`fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png` a
são apresentados ângulos **horizontais internos** medidos
**à direita**, ou seja, no sentido horário nos vértices :math:`\mathrm{A, B, C, D}` e :math:`\mathrm{E}`.
Os ângulos são medidos na sequência :math:`\mathrm{A, B, C, D}` e :math:`\mathrm{E}`. Desta forma, os
alinhamentos :math:`\mathrm{AB}`, :math:`\mathrm{BC}`,
:math:`\mathrm{CD}`, :math:`\mathrm{DE}` e :math:`\mathrm{EA}` são denominados de *vante*.
Já :math:`\mathrm{BA}`, :math:`\mathrm{CB}`, :math:`\mathrm{DC}`,
:math:`\mathrm{DE}` e :math:`\mathrm{AE}` são os alinhamentos de *ré*. Observe
que para medir os ângulos internos horizontais à direita da poligonal
fechada :math:`\mathrm{ABCDE}`, tem-se que fazer um caminhamento no sentido anti-horário.
No alinhamento :math:`\mathrm{AB}` é apresentado o seu azimute, ou seja a sua direção
em relação ao meridiano. Ela é necessária para o cálculo dos azimutes
dos demais alinhamentos, como será visto na seção :ref:`Cálculodoazimute`.
Ângulos de deflexão
^^^^^^^^^^^^^^^^^^^
O **ângulo de deflexão** de um determinado
alinhamento é o ângulo entre ele e o prolongamento do alinhamento
anterior. Na :numref:`fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png` b é apresentado
um exemplo de um levantamento utilizando este tipo de medida angular.
Pode-se observar que o ângulo de deflexão pode ser à direita (deflexão
à direita, DD) ou à esquerda
(deflexão à esquerda, DE), se
o alinhamento é medido à direita ou à esquerda do prolongamento anterior,
respectivamente. Os ângulo de deflexão têm variação de :math:`0^\circ` a :math:`180^\circ`.
As medidas de ângulos de deflexão são as mais utilizadas para a locação
de estradas, dutos, canais de irrigação, etc. Em algumas estações
totais, é possível configurá-la para trabalhar com este tipo de ângulo.
.. _fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png:
.. figure:: /images/capitulo7/fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png
:scale: 65 %
:alt: fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png
:align: center
Exemplo de poligonais medidas por ângulos internos à direita (a)
e por de deflexão (b). DD é a deflexão à direita e DE deflexão à esquerda.
.. _Meridiano:
Meridiano
---------
A direção de um alinhamento em topografia corresponde ao ângulo horizontal
entre o alinhamanto e uma linha arbitrária, que denominados de meridiano.
Em um levantamento topográfico, tem-se que definir qual é a referência
de meridiano que vai ser utilizado, podendo ser :cite:`WOLF`:
- **meridiano geodésico**: é a linha norte-sul de referencia que passa pela
posição média dos pólos, medida entre 1900.0 e 1905.0;
- **meridiano astronômico**: é a linha norte-sul de referencia que passa
pela posição instantânia dos pólos geográficos da terra,
é determinado usualmente por medidas astronômicas;
- **meridiano magnético**: é linha norte-sul que passa
passa pelo eixo da agulha magnetizada livre, com apoio
apenas no seu centro. (seção :ref:`Declinação magnética`);
- **meridiano da quadrícula**:
corresponde a direção do eixo-:math:`y` do sistema cartesiano da quadrícula,
da projeção cartográfica. Nas coordenas UTM, corresponde ao eixo Norte
(seção :any:`UTM`). É de fácil determinação com uso do GNSS;
- **meridiano estabelecido**: é aquele proveniente de documentação de
levantamento realizado anteriormente na área;
- o **meridiano hipotético**: é aquele
estabelecido em campo, sem relação com os apresentados acima. Deve
ser evitado, uma vez que, no futuro, pode tornar difícil ou até impossível
aviventar o levantamento. Sugere-se, caso se utilize este tipo, a
construção de marcos nos pontos que foram utilizados para a sua definição.
Desta forma, seria possível a aviventação dos alinhamentos no futuro.
.. _Azimute:
Azimute
-------
O **azimute** (Az) de um alinhamento é o ângulo horizontal entre
o norte do meridiano e o alinhamento, medido no sentido horário. As medidas
de azimute iniciam no norte do meridiano, variando de :math:`0^{\circ}` a :math:`360^{\circ}`.
O meridiano pode ser quaisquer dos apresentados na seção :ref:`Meridiano`.
O azimute quando medido do começo para o final do alinhamento é denominado
**azimute de vante**. Na :numref:`fig_Azimutevantere.png` a
são observados os azimutes de vante OA, OB, OC OD, respectivamente,
de :math:`45^\circ`, :math:`160^\circ`, :math:`230^\circ` e :math:`300^\circ`.
O **azimute** de ré do alinhamento OA (vante) é o azimute de AO, ou seja,
quando o azimute do alinhamento
é medido do final para o início do alinhamento. Quando se conhece
o azimute de vante um alinhamento, o seu azimute de ré pode ser calculado:
i) subtraindo-se o azimute de :math:`180^\circ` se ele estiver entre :math:`180^\circ` e :math:`360^\circ`
ou; ii) somando-se ao azimute :math:`180^\circ`, se ele estiver :math:`0^\circ` e :math:`180^\circ`.
Na :numref:`fig_Azimutevantere.png` b é apresentado o alinhamento
OA com azimute de vante, :math:`45^\circ`, e o seu azimute de ré, AO, de
:math:`225^\circ` (:math:`180^\circ+45^\circ`).
.. _fig_Azimutevantere.png:
.. figure:: /images/capitulo7/fig_Azimutevantere.png
:scale: 45 %
:alt: fig_Azimutevantere.png
:align: center
Exemplo de azimutes de vante (a) e ré do alinhamento OA (b).
Rumo
----
O rumo de um alinhamento é o ângulo agudo que faz com o meridiano,
logo, nunca é maior que :math:`90^\circ`. A medição dele começa no norte
ou sul do meridiano, medindo-se à direita ou à esquerda, caso o alinhamento
se encontre à leste (E) ou à oeste (W) do meridiano, respectivamente.
Para a sua adequada descrição, além do ângulo, deve-se constar o quadrante
na qual o alinhamento se encontra, nordeste (NE), sudeste (SE), sudoeste
(SW) ou noroeste (NW). O meridiano pode ser o geodésico, da quadrícula,
hipotético, etc.
Chama-se de **rumo de vante**, quando o mesmo é medido do início
do alinhamento para o final. Na :numref:`fig_rumovantere.png` a
são observados exemplos de medidas de direção utilizando o rumo de
vante. Observe que os alinhamentos estão nas mesmas direções e sentidos
do exemplo apresentado para o azimute na :numref:`fig_rumovantere.png` a.
O **rumo de ré** OA é o rumo AO, ou seja,
quando mede-se o rumo do fim do alinhamento para o começo. Os valores
dos rumos de ré também são menores que :math:`90^\circ`, e deve-se informar
o quadrante em que se encontra. O rumo de ré é de fácil determinação,
o valor angular é o mesmo e o quadrante, o oposto. Na :numref:`fig_rumovantere.png` b
é apresentado o rumo de ré do alinhamento OA, :math:`45^\circ\,\text{SW}`.
.. _fig_rumovantere.png:
.. figure:: /images/capitulo7/fig_rumovantere.png
:scale: 45 %
:alt: fig_rumovantere.png
:align: center
Exemplo de rumos de vante (a) e ré (b) do alinhamento OA.
.. _RumoNSEW_teste2_tex_overleaf.png:
.. figure:: /images/capitulo7/RumoNSEW_teste2_tex_overleaf.png
:scale: 35 %
:alt: RumoNSEW_teste2_tex_overleaf.png
:align: center
Denominação dos rumos quando se encontram nos sentidos dos pontos cardeais.
.. _Conversão de azimutes em rumos:
Conversão de azimutes em rumos
------------------------------
Para fazer a conversão de azimute para rumo basta verificar o quadrante
em que se encontra o alinhamento e aplicar a regra da Equação :eq:`eq:azimute2rumo`.
Note que para o rumo, deve-se acrescentar o quadrante em que se encontra
o alinhamento.
.. math::
\begin{gathered}\mathrm{Rumo}\end{gathered}
=\begin{cases}
\mathrm{Az} & \mathrm{(NE)\,se\,}\mathrm{0^{\circ}`_).
Já para os Estados Unidos, a variação é de aproximadamente :math:`8'` ao
longo de 24 horas :cite:`WOLF`;
- a **variação irregular**, é uma variação imprevisível. Pode ocorrer
devido ao distúrbio das tempestades solares ao campo magnético da
terra; ou por efeito de proximidade de materiais metálicos ou de correntes
elétricas locais, como àquelas que são geradas por fios de alta tensão.
Embora imprevisível, as tempestades solares tem uma frequência de
aproximadamente 11 anos. Segundo :cite:t:`WOLF` estas perturbações
na declinação magnética são pequenas, de cerca de um grau ou mais.
Por meio de interpolação das linhas isopóricas, pode-se encontrar
a variação anual da declinação magnética para uma posição geográfica
de interesse. O valor da variação encontrada, pode ser utilizada em
conjunto com a declinação magnética local, para encontrar a declinação
magnética em anos anteriores ou posteriores. Todavia, isto não se
faz necessário atualmente, devido à disponibilidade na internet de
dados de declinação magnética para diferentes posições geográficas
e épocas.
.. admonition:: Sobre declinação magnética.
.. raw:: html
.. admonition:: Obtendo a declinação magnética
`Clicando aqui `_ você
será encaminhado para o *site* da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica,
*National Oceanic and Atmospheric Administration*), onde poderá consultar a
declinação magnética para todo globo terrestre e para diferentes períodos, tendo os
seguintes modelos disponíveis:
a) o Modelo Magnético Mundial (`WMM `_, *World Magnetic Model*);
b) o Campo Magnético Melhorado (`EMM `_, *Enhanced Magnetic Model*);
c) e o `IGRF `_.
.. _fig_linhaisoporica.png:
.. figure:: /images/capitulo7/fig_linhaisoporica.png
:scale: 55 %
:alt: fig_linhaisoporica.png
:align: center
Linhas isopóricas em 2000 para a região segundo o IGRF.
----
.. admonition:: :exem:`Exemplo 7` Na página da
`NOAA `_
é possível encontrar os valores da declinação magnética do modelo IGRF.
Por meio dela, calcular a variação da declinação magnética para a cidade de Vitória,
Espírito Santo :math:`(\phi=-20^\circ19'10'',~\lambda=-40^\circ20'16'')`, entre o período de 1/Jan/1960 e 1/Jan/2014.
:solucao:`Solução:`
.. figure:: /images/capitulo7/fig_declividavariacao.png
:scale: 35 %
:alt: fig_declividavariacao.png
:align: center
Uma vez que um alinhamento teve a sua direção e sentido determinada com referência
ao norte o magnético, o seu azimute ou rumo é dito como sendo magnético.
Conhecendo o azimute ou rumo magnético de um alinhamento é possível,
por meio da declinação magnético da época, encontrar seu azimute ou
rumo verdadeiro. Considerando o sinal negativo para declinação oeste
(W) e positiva para a declinação à leste (E), o azimute verdadeiro
é dado pelo azimute magnético mais a declinação magnética da época
do levantamento.
Muitas vezes no processo de aviventação (reproduzir na época atual
a demarcação de um alinhamento já demarcado) de uma área levantada no passado,
tem-se que encontrar novamente a direção dos respectivos alinhamentos
em campo no presente. Se os alinhamentos tiveram suas direções obtidas
com a referência do norte magnético, na época da aviventação, tem-se
que fazer suas atualização, considerando a mudança da direção do norte
magnético entre as duas épocas. Mais uma vez, tal procedimento é possível,
por meio da aplicação da variação de declinação magnética entre as
épocas aos azimutes ou rumos magnéticos medidos no passado (ver Exemplo
a seguir).
----
.. admonition:: :exem:`Exemplo 8` Na região de Umuarama, PR, o alinhamento BC teve
o seu azimute magnético medido de :math:`153^\circ41'30''` em
10/12/1967. Qual é o azimute magnético deste alinhamento se você estivesse locando em campo este mesmo alinhamento em 4/5/2014?
:solucao:`Solução:`
.. figure:: /images/capitulo7/DeclinacaoMagneticaUmuaramaShareLatex.png
:scale: 35 %
:alt: DeclinacaoMagneticaUmuaramaShareLatex.png
:align: center
.. _Ângulo vertical:
Ângulo vertical
===============
O ângulo vertical é o ângulo medido no plano vertical. Quando a origem
das medição do ângulo vertical for o zênite (direção contrária ao fio de prumo),
o ângulo vertical é denominado de ângulo **zenital** :math:`(z)`.
Caso a origem seja o plano horizontal, o ângulo vertical é de **inclinação**
:math:`(\alpha)` (:numref:`fig_AnguloVertical.png`). Os ângulos verticais
medidos de estações totais e teodolitos são utilizados, por exemplo,
para calcular diferenças de nível e reduzir a distância inclinada
para distância horizontal. A maior parte dos teodolitos utilizam o
ângulo vertical do tipo zenital. De modo geral, as estações totais
têm a opção de se trabalhar com ângulo vertical tipo zenital ou de
inclinação.
.. _fig_AnguloVertical.png:
.. figure:: /images/capitulo7/fig_AnguloVertical.png
:scale: 35 %
:alt: fig_AnguloVertical.png
:align: center
Ângulo vertical zenital :math:`(z)` e de inclinação :math:`(\alpha)`. As abreviações :math:`ai` e :math:`ap`,
correspondem, respectivamente, a altura do instrumento
e a altura do prisma, necessárias para calcular a diferença de nível.
A variação do ângulo zenital é de :math:`0^\circ` a :math:`360^\circ`. Se o
ângulo zenital é de :math:`0^\circ`, a luneta se encontra na direção contrária
a vertical do lugar, ou seja, na direção do zênite. Na medida em que
a luneta, é inclinada na direção do horizonte, quando o ângulo for
de :math:`90^\circ`, conterá o plano horizontal. Quando ela estiver na
posição da vertical do lugar, direção do nadir, o ângulo
será de :math:`180^\circ`. A luneta está na **posição direta**
quando o ângulo zenital está entre :math:`0^\circ` e :math:`180^\circ`. Quando
o ângulo zenital for de :math:`270^\circ` a luneta estará novamente no
plano horizontal, até que, se novamente a luneta estiver no zênite,
o ângulo vertical medido será de :math:`360^\circ` ou :math:`0^\circ`. A
**posição inversa da luneta** ocorre
quando o ângulo zenital estiver entre :math:`180^\circ` e :math:`360^\circ`.
Já o ângulo de inclinação tem variação de :math:`0^\circ` a :math:`+90^\circ`
se a visada for ascendente e, de :math:`0^\circ` a :math:`-90^\circ` se a visada
for descendente. A Tabela abaixo apresenta
a relação entre o ângulo zenital, o de inclinação, o tipo de visada,
se ascendente ou descendente, e a posição da luneta.
.. table:: Relação entre ângulo zenital :math:`(z)`, de inclinação :math:`(\alpha)` e tipo de visada.
:header-alignment: ccc
:column-alignment: crr
============================== ====================== ================ ===================
:math:`z` :math:`\alpha` Tipo de visada Posição da luneta
============================== ====================== ================ ===================
:math:`0^\circ`_
a declinação magnética para a Cidade de Campina
Grande :math:`(\phi=-7^\circ13'50'',~\lambda=-35^\circ51'52'';~\mathrm{altitude}=551~\mathrm{m})`,
PB, para a data de 28/jan/1996, modelo **IGRF**.
:exem:`Resp.:` :math:`\delta=-22,33^\circ`.
----
:exem:`13)` Calcular a declinação magnética e a variação sua variação (modelo **IGRF**) para o município de
Piracicaba, São Paulo :math:`(\phi=-22^\circ43'31'',~\lambda=-47^\circ38'57'')`,
entre o período 1/Jul/1950 e 15/Ago/2010.
:exem:`Resp.:` Em 1/Jul/1950 e 15/Ago/2010 a declinação
magnética foi de, respectivamente, :math:`-11,87^\circ` e :math:`-20,11^\circ`,
logo a variação é de :math:`8,24^\circ` W.
----
:exem:`14)` O ângulo zenital na posição direta é de :math:`74^\circ2'48''`.
Qual seria o ângulo equivalente se a luneta estivesse na posição inversa.
:exem:`Resp.:` :math:`z_d=285^\circ57'12''`.
----
:exem:`15)` Foram medidos dois pares
de ângulo zenital, na posição direta e inversa da luneta, resultando
nas seguintes leituras: na posição direta :math:`87^\circ9'37''` e :math:`87^\circ9'43''`
e, na posição inversa :math:`272^\circ50'27''` e :math:`272^\circ50'21''`. Calcular
o ângulo zenital médio na posição direta da luneta :math:`(\bar{z}_{d})`.
:exem:`Resp.:` :math:`\bar{z}_{d}=87^\circ9'38''`.
----
:exem:`16)` Repetir o exercício 15 considerando
os seguintes valores de ângulos zenitais: na posição direta :math:`95^\circ49'14''` e :math:`95^\circ49'18''`
e, na posição inversa :math:`264^\circ10'40''` e :math:`264^\circ10'36''`.
:exem:`Resp.:` :math:`\bar{z}_{d}=95^\circ49'19''`.