.. raw:: html .. role:: exem .. raw:: html .. role:: solucao .. raw:: html .. role:: blue .. _RST Capitulo 7: Capitulo 7: Ângulos ******************* Introdução ========== Para a determinação das coordenadas de pontos topográficos, uma vez na área do levantamento, e com o auxílio de teodolitos/estações totais, medem-se os ângulos e as distâncias entre alinhamentos. Neste capítulo analisaremos os ângulos medidos, que podem ser, horizontais (seção :ref:`Ângulo horizontal`) ou verticais (seção :ref:`Ângulo vertical`), que são medidos em relação ao plano horizontal e vertical, respectivamente. Para os cálculos das coordenadas dos pontos, há a necessidade de conhecer (calcular) a direção dos alinhamentos em relação ao meridiano utilizado, ou seja, os azimutes ou rumos, sendo também vistos neste capítulo. Medidores de ângulos ==================== Na topografia, são utilizados bússolas, teodolitos ótico mecânicos, teodolitos eletrônicos e estações totais para a medição dos ângulos. Os ângulos que se podem medir com estes equipamentos são de dois tipos, o horizontal e o vertical, exceção da bússola, onde pode-se medir apenas ângulos horizontais. Nos teodolitos eletrônicos e nas estações totais, os ângulos são medidos eletronicamente, podendo-se armazená-los automaticamente na memória do equipamento. Já nos teodolitos ótico mecânicos, tem-se que fazer a leitura do ângulo no círculo horizontal e vertical graduado (limbo), anotando-a na caderneta de campo. Na :numref:`fig_esquemateodo.png` é apresentado um esquema dos limbos vertical e horizontal de um teodolito ótico mecânico. Quando o equipamento está nivelado sobre um ponto, o seu eixo vertical coincide com a linha da vertical do lugar, contendo o ponto estacionado e o centro ótico do equipamento :math:`(O)`. O círculo horizontal é normal ao eixo vertical. Já o círculo vertical, tem direção paralela ao eixo vertical e o seu centro coincide com o eixo horizontal do instrumento. Na maioria dos nossos equipamentos, os ângulos são medidos na unidade de graus, de :math:`0^\circ` a :math:`360^\circ`, no sentido horário. O :math:`0^\circ` do círculo horizontal, pode ser fixo em qualquer direção, ficando independente do movimento da luneta. Com o círculo horizontal, o ângulo horizontal entre dois pontos qualquer pode ser medido :math:`(\alpha)`, onde os procedimentos para a sua medição são apresentados na seção :ref:`Método das direções`. .. _fig_esquemateodo.png: .. figure:: /images/capitulo7/fig_esquemateodo.png :scale: 75 % :alt: fig_esquemateodo.png :align: center Esquema de um teodolito com os círculos vertical e horizontal. Com relação ao ângulo vertical, quando o equipamento está nivelado, o :math:`0^\circ` do círculo vertical tem direção do zênite ou do plano horizontal que passa pelo centro ótico da luneta, respectivamente, ângulo zenital e de inclinação :math:`(z)`. Maiores informações sobre os ângulos verticais podem ser encontrados na seção :ref:`Ângulo vertical`. .. _Ângulo horizontal: Ângulo horizontal ================= Alinhamento de vante e ré ------------------------- A :numref:`fig_introangulo.png` apresenta a sequência de vértices :math:`\mathrm{EAB}`, onde é realizada a medida do ângulo horizontal, no sentido horário, :math:`\alpha`, no vértice :math:`\mathrm{A}`. Para a medida de :math:`\alpha`, o ponto :math:`\mathrm{E}` é o ponto inicial (**ponto de ré**), onde se realiza a **visada de ré**, enquanto e :math:`\mathrm{B}`, é o ponto final (**ponto de vante**), onde é realizada a **visada de vante**. Aos alinhamentos que correspondem ao início e ao final das medidas, denominamos de alinhamentos de **ré** e **vante**. Para este exemplo, :math:`\mathrm{AE}` é o alinhamento de ré e :math:`\mathrm{AB}` o de vante. O ângulo :math:`\alpha` pode ser calculado subtraindo a medida do ângulo horizontal de vante da medida de ré. .. _fig_introangulo.png: .. figure:: /images/capitulo7/fig_introangulo.png :scale: 55 % :alt: fig_introangulo.png :align: center Leitura do ângulos internos :math:`\mathrm{EAB}`. Medição do ângulo horizontal ---------------------------- Existem várias formas de medição dos ângulos horizontais, a mais simples é apresentada na :numref:`fig_introangulo.png`, em que o ângulo :math:`\alpha` é determinado de apenas uma leitura no ponto de ré e no de vante. Todavia, devido aos erros instrumentais, deve-se considerar a média de várias medidas de :math:`\alpha`, com a luneta na posição direta e inversa (ver seção :ref:`Ângulo vertical`). Neste texto será apresentado o método das direções, que é o previsto para ser utilizado pela :cite:t:`NBR13133` na medição de ângulos. Para outros métodos, pode-se consultar, :cite:t:`loch`, :cite:t:`golcalves` e :cite:t:`WOLF`. .. _Método das direções: Método das direções ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ Considere os alinhamentos apresentados na :numref:`fig_introangulo.png`. O método das direções tem as seguintes etapas quando se trabalha com estação total: a. equipamento é centralizado e nivelado em A, ponto da estação; b. com a luneta na posição direta (PD), é realizada uma aproximação em E, ponto de ré. Com o movimento horizontal e vertical travados, e com o auxílio dos parafusos de movimento micrométrico, é realizada a visada exata ao centro prisma; c. o ângulo horizontal em E pode ser zerado, ou o seu valor lido, teremos :math:`(L_{\mathrm{PD}}^\mathrm{r\acute{e}})`; d. com o movimento horizontal e vertical solto, faz-se uma visada aproximada em B, ponto de vante, e com os parafusos micrométricos, depois que os movimentos horizontal e vertical estiverem travados, faz-se a aproximação precisa ao centro do prisma, anotando-se o ângulo horizontal :math:`(L_{\mathrm{PD}}^\mathrm{vante})`. Se na etapa anterior o ângulo horizonal foi zerado, o ângulo horizontal em B corresponderá a :math:`\alpha` na posição direta, :math:`\alpha_{\mathrm{PD}}`. Se o ângulo horizontal na etapa anterior não foi zerado, o valor de :math:`\alpha_{\mathrm{PD}}` será dado pela diferença dos ângulos horizontais de vante e de ré, no nosso caso, :math:`\alpha_{\mathrm{PD}}=L_{\mathrm{PD}}^\mathrm{vante}-\mathrm{L}_{\mathrm{PD}}^\mathrm{r\acute{e}}`; e. repete-se as estapas b a d, :math:`n` vezes; f. coloca-se a luneta na posição inversa (PI), e repete-se as etapas de b a d mais :math:`n` vezes, onde teremos :math:`n` valores de :math:`\alpha` com a luneta na PI, :math:`\alpha_{\mathrm{PI}}`; g. o valor médio de :math:`\alpha\,(\bar{\alpha})`, será a média de todas as medidas na posição direta e inversa: .. math:: \bar{\alpha} &= \frac{\sum_{i=1}^n\left(\alpha_{\mathrm{PD},i}+\alpha_{\mathrm{PI},i}\right)}{2n}\\ &=\frac{\sum_{i=1}^n\left(L_{\mathrm{PD,}i}^\mathrm{vante}-L_{\mathrm{PD,}i}^\mathrm{r\acute{e}}+L_{\mathrm{PI,}i}^\mathrm{vante}-\mathrm{L}_{\mathrm{PI,}i}^\mathrm{r\acute{e}}\right)}{2n} Na :numref:`fig_metododasdirecoes.png` é apresentado um exemplo de cálculo de um ângulo horizontal entre dois alinhamentos pelo método das direções. São realizadas duas repetições, com a luneta na posição direta e inversa. Na posição direta, o ângulo horizontal no ponto de ré foi zerado, o mesmo não acontecendo quando a posição era a inversa. Se trabalhando com estação total, o ângulo horizontal no ponto de ré, quando a luneta está na posição inversa, também poderia ter sido zerado. Este último procedimento, zerar o ângulo horizontal no ponto de ré quando a luneta está na posição inversa, não é realizado quando utiliza-se o teodolito do tipo ótico mecânico. Uma vez que o método das direções visa medir os ângulos horizontais em diferentes posições do limbo destes equipamentos. Para maiores informações, consultar :cite:t:`NBR13133`, página 3. .. _fig_metododasdirecoes.png: .. figure:: /images/capitulo7/fig_metododasdirecoes.png :scale: 45 % :alt: fig_metododasdirecoes.png :align: center Exemplo de anotações para medida de ângulo pelo método das direções. Ângulos horizontais à direita ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ Os ângulos horizontais medidos entre os alinhamentos são na grande maioria os ângulos internos e de deflexão. Na :numref:`fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png` a são apresentados ângulos **horizontais internos** medidos **à direita**, ou seja, no sentido horário nos vértices :math:`\mathrm{A, B, C, D}` e :math:`\mathrm{E}`. Os ângulos são medidos na sequência :math:`\mathrm{A, B, C, D}` e :math:`\mathrm{E}`. Desta forma, os alinhamentos :math:`\mathrm{AB}`, :math:`\mathrm{BC}`, :math:`\mathrm{CD}`, :math:`\mathrm{DE}` e :math:`\mathrm{EA}` são denominados de *vante*. Já :math:`\mathrm{BA}`, :math:`\mathrm{CB}`, :math:`\mathrm{DC}`, :math:`\mathrm{DE}` e :math:`\mathrm{AE}` são os alinhamentos de *ré*. Observe que para medir os ângulos internos horizontais à direita da poligonal fechada :math:`\mathrm{ABCDE}`, tem-se que fazer um caminhamento no sentido anti-horário. No alinhamento :math:`\mathrm{AB}` é apresentado o seu azimute, ou seja a sua direção em relação ao meridiano. Ela é necessária para o cálculo dos azimutes dos demais alinhamentos, como será visto na seção :ref:`Cálculodoazimute`. Ângulos de deflexão ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ O **ângulo de deflexão** de um determinado alinhamento é o ângulo entre ele e o prolongamento do alinhamento anterior. Na :numref:`fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png` b é apresentado um exemplo de um levantamento utilizando este tipo de medida angular. Pode-se observar que o ângulo de deflexão pode ser à direita (deflexão à direita, DD) ou à esquerda (deflexão à esquerda, DE), se o alinhamento é medido à direita ou à esquerda do prolongamento anterior, respectivamente. Os ângulo de deflexão têm variação de :math:`0^\circ` a :math:`180^\circ`. As medidas de ângulos de deflexão são as mais utilizadas para a locação de estradas, dutos, canais de irrigação, etc. Em algumas estações totais, é possível configurá-la para trabalhar com este tipo de ângulo. .. _fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png: .. figure:: /images/capitulo7/fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png :scale: 65 % :alt: fig_ExemploAnguloDexaoInterno.png :align: center Exemplo de poligonais medidas por ângulos internos à direita (a) e por de deflexão (b). DD é a deflexão à direita e DE deflexão à esquerda. .. _Meridiano: Meridiano --------- A direção de um alinhamento em topografia corresponde ao ângulo horizontal entre o alinhamanto e uma linha arbitrária, que denominados de meridiano. Em um levantamento topográfico, tem-se que definir qual é a referência de meridiano que vai ser utilizado, podendo ser :cite:`WOLF`: - **meridiano geodésico**: é a linha norte-sul de referencia que passa pela posição média dos pólos, medida entre 1900.0 e 1905.0; - **meridiano astronômico**: é a linha norte-sul de referencia que passa pela posição instantânia dos pólos geográficos da terra, é determinado usualmente por medidas astronômicas; - **meridiano magnético**: é linha norte-sul que passa passa pelo eixo da agulha magnetizada livre, com apoio apenas no seu centro. (seção :ref:`Declinação magnética`); - **meridiano da quadrícula**: corresponde a direção do eixo-:math:`y` do sistema cartesiano da quadrícula, da projeção cartográfica. Nas coordenas UTM, corresponde ao eixo Norte (seção :any:`UTM`). É de fácil determinação com uso do GNSS; - **meridiano estabelecido**: é aquele proveniente de documentação de levantamento realizado anteriormente na área; - o **meridiano hipotético**: é aquele estabelecido em campo, sem relação com os apresentados acima. Deve ser evitado, uma vez que, no futuro, pode tornar difícil ou até impossível aviventar o levantamento. Sugere-se, caso se utilize este tipo, a construção de marcos nos pontos que foram utilizados para a sua definição. Desta forma, seria possível a aviventação dos alinhamentos no futuro. .. _Azimute: Azimute ------- O **azimute** (Az) de um alinhamento é o ângulo horizontal entre o norte do meridiano e o alinhamento, medido no sentido horário. As medidas de azimute iniciam no norte do meridiano, variando de :math:`0^{\circ}` a :math:`360^{\circ}`. O meridiano pode ser quaisquer dos apresentados na seção :ref:`Meridiano`. O azimute quando medido do começo para o final do alinhamento é denominado **azimute de vante**. Na :numref:`fig_Azimutevantere.png` a são observados os azimutes de vante OA, OB, OC OD, respectivamente, de :math:`45^\circ`, :math:`160^\circ`, :math:`230^\circ` e :math:`300^\circ`. O **azimute** de ré do alinhamento OA (vante) é o azimute de AO, ou seja, quando o azimute do alinhamento é medido do final para o início do alinhamento. Quando se conhece o azimute de vante um alinhamento, o seu azimute de ré pode ser calculado: i) subtraindo-se o azimute de :math:`180^\circ` se ele estiver entre :math:`180^\circ` e :math:`360^\circ` ou; ii) somando-se ao azimute :math:`180^\circ`, se ele estiver :math:`0^\circ` e :math:`180^\circ`. Na :numref:`fig_Azimutevantere.png` b é apresentado o alinhamento OA com azimute de vante, :math:`45^\circ`, e o seu azimute de ré, AO, de :math:`225^\circ` (:math:`180^\circ+45^\circ`). .. _fig_Azimutevantere.png: .. figure:: /images/capitulo7/fig_Azimutevantere.png :scale: 45 % :alt: fig_Azimutevantere.png :align: center Exemplo de azimutes de vante (a) e ré do alinhamento OA (b). Rumo ---- O rumo de um alinhamento é o ângulo agudo que faz com o meridiano, logo, nunca é maior que :math:`90^\circ`. A medição dele começa no norte ou sul do meridiano, medindo-se à direita ou à esquerda, caso o alinhamento se encontre à leste (E) ou à oeste (W) do meridiano, respectivamente. Para a sua adequada descrição, além do ângulo, deve-se constar o quadrante na qual o alinhamento se encontra, nordeste (NE), sudeste (SE), sudoeste (SW) ou noroeste (NW). O meridiano pode ser o geodésico, da quadrícula, hipotético, etc. Chama-se de **rumo de vante**, quando o mesmo é medido do início do alinhamento para o final. Na :numref:`fig_rumovantere.png` a são observados exemplos de medidas de direção utilizando o rumo de vante. Observe que os alinhamentos estão nas mesmas direções e sentidos do exemplo apresentado para o azimute na :numref:`fig_rumovantere.png` a. O **rumo de ré** OA é o rumo AO, ou seja, quando mede-se o rumo do fim do alinhamento para o começo. Os valores dos rumos de ré também são menores que :math:`90^\circ`, e deve-se informar o quadrante em que se encontra. O rumo de ré é de fácil determinação, o valor angular é o mesmo e o quadrante, o oposto. Na :numref:`fig_rumovantere.png` b é apresentado o rumo de ré do alinhamento OA, :math:`45^\circ\,\text{SW}`. .. _fig_rumovantere.png: .. figure:: /images/capitulo7/fig_rumovantere.png :scale: 45 % :alt: fig_rumovantere.png :align: center Exemplo de rumos de vante (a) e ré (b) do alinhamento OA. .. _RumoNSEW_teste2_tex_overleaf.png: .. figure:: /images/capitulo7/RumoNSEW_teste2_tex_overleaf.png :scale: 35 % :alt: RumoNSEW_teste2_tex_overleaf.png :align: center Denominação dos rumos quando se encontram nos sentidos dos pontos cardeais. .. _Conversão de azimutes em rumos: Conversão de azimutes em rumos ------------------------------ Para fazer a conversão de azimute para rumo basta verificar o quadrante em que se encontra o alinhamento e aplicar a regra da Equação :eq:`eq:azimute2rumo`. Note que para o rumo, deve-se acrescentar o quadrante em que se encontra o alinhamento. .. math:: \begin{gathered}\mathrm{Rumo}\end{gathered} =\begin{cases} \mathrm{Az} & \mathrm{(NE)\,se\,}\mathrm{0^{\circ}`_). Já para os Estados Unidos, a variação é de aproximadamente :math:`8'` ao longo de 24 horas :cite:`WOLF`; - a **variação irregular**, é uma variação imprevisível. Pode ocorrer devido ao distúrbio das tempestades solares ao campo magnético da terra; ou por efeito de proximidade de materiais metálicos ou de correntes elétricas locais, como àquelas que são geradas por fios de alta tensão. Embora imprevisível, as tempestades solares tem uma frequência de aproximadamente 11 anos. Segundo :cite:t:`WOLF` estas perturbações na declinação magnética são pequenas, de cerca de um grau ou mais. Por meio de interpolação das linhas isopóricas, pode-se encontrar a variação anual da declinação magnética para uma posição geográfica de interesse. O valor da variação encontrada, pode ser utilizada em conjunto com a declinação magnética local, para encontrar a declinação magnética em anos anteriores ou posteriores. Todavia, isto não se faz necessário atualmente, devido à disponibilidade na internet de dados de declinação magnética para diferentes posições geográficas e épocas. .. admonition:: Sobre declinação magnética. .. raw:: html
.. admonition:: Obtendo a declinação magnética `Clicando aqui `_ você será encaminhado para o *site* da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, *National Oceanic and Atmospheric Administration*), onde poderá consultar a declinação magnética para todo globo terrestre e para diferentes períodos, tendo os seguintes modelos disponíveis: a) o Modelo Magnético Mundial (`WMM `_, *World Magnetic Model*); b) o Campo Magnético Melhorado (`EMM `_, *Enhanced Magnetic Model*); c) e o `IGRF `_. .. _fig_linhaisoporica.png: .. figure:: /images/capitulo7/fig_linhaisoporica.png :scale: 55 % :alt: fig_linhaisoporica.png :align: center Linhas isopóricas em 2000 para a região segundo o IGRF. ---- .. admonition:: :exem:`Exemplo 7` Na página da `NOAA `_ é possível encontrar os valores da declinação magnética do modelo IGRF. Por meio dela, calcular a variação da declinação magnética para a cidade de Vitória, Espírito Santo :math:`(\phi=-20^\circ19'10'',~\lambda=-40^\circ20'16'')`, entre o período de 1/Jan/1960 e 1/Jan/2014. :solucao:`Solução:` .. figure:: /images/capitulo7/fig_declividavariacao.png :scale: 35 % :alt: fig_declividavariacao.png :align: center Uma vez que um alinhamento teve a sua direção e sentido determinada com referência ao norte o magnético, o seu azimute ou rumo é dito como sendo magnético. Conhecendo o azimute ou rumo magnético de um alinhamento é possível, por meio da declinação magnético da época, encontrar seu azimute ou rumo verdadeiro. Considerando o sinal negativo para declinação oeste (W) e positiva para a declinação à leste (E), o azimute verdadeiro é dado pelo azimute magnético mais a declinação magnética da época do levantamento. Muitas vezes no processo de aviventação (reproduzir na época atual a demarcação de um alinhamento já demarcado) de uma área levantada no passado, tem-se que encontrar novamente a direção dos respectivos alinhamentos em campo no presente. Se os alinhamentos tiveram suas direções obtidas com a referência do norte magnético, na época da aviventação, tem-se que fazer suas atualização, considerando a mudança da direção do norte magnético entre as duas épocas. Mais uma vez, tal procedimento é possível, por meio da aplicação da variação de declinação magnética entre as épocas aos azimutes ou rumos magnéticos medidos no passado (ver Exemplo a seguir). ---- .. admonition:: :exem:`Exemplo 8` Na região de Umuarama, PR, o alinhamento BC teve o seu azimute magnético medido de :math:`153^\circ41'30''` em 10/12/1967. Qual é o azimute magnético deste alinhamento se você estivesse locando em campo este mesmo alinhamento em 4/5/2014? :solucao:`Solução:` .. figure:: /images/capitulo7/DeclinacaoMagneticaUmuaramaShareLatex.png :scale: 35 % :alt: DeclinacaoMagneticaUmuaramaShareLatex.png :align: center .. _Ângulo vertical: Ângulo vertical =============== O ângulo vertical é o ângulo medido no plano vertical. Quando a origem das medição do ângulo vertical for o zênite (direção contrária ao fio de prumo), o ângulo vertical é denominado de ângulo **zenital** :math:`(z)`. Caso a origem seja o plano horizontal, o ângulo vertical é de **inclinação** :math:`(\alpha)` (:numref:`fig_AnguloVertical.png`). Os ângulos verticais medidos de estações totais e teodolitos são utilizados, por exemplo, para calcular diferenças de nível e reduzir a distância inclinada para distância horizontal. A maior parte dos teodolitos utilizam o ângulo vertical do tipo zenital. De modo geral, as estações totais têm a opção de se trabalhar com ângulo vertical tipo zenital ou de inclinação. .. _fig_AnguloVertical.png: .. figure:: /images/capitulo7/fig_AnguloVertical.png :scale: 35 % :alt: fig_AnguloVertical.png :align: center Ângulo vertical zenital :math:`(z)` e de inclinação :math:`(\alpha)`. As abreviações :math:`ai` e :math:`ap`, correspondem, respectivamente, a altura do instrumento e a altura do prisma, necessárias para calcular a diferença de nível. A variação do ângulo zenital é de :math:`0^\circ` a :math:`360^\circ`. Se o ângulo zenital é de :math:`0^\circ`, a luneta se encontra na direção contrária a vertical do lugar, ou seja, na direção do zênite. Na medida em que a luneta, é inclinada na direção do horizonte, quando o ângulo for de :math:`90^\circ`, conterá o plano horizontal. Quando ela estiver na posição da vertical do lugar, direção do nadir, o ângulo será de :math:`180^\circ`. A luneta está na **posição direta** quando o ângulo zenital está entre :math:`0^\circ` e :math:`180^\circ`. Quando o ângulo zenital for de :math:`270^\circ` a luneta estará novamente no plano horizontal, até que, se novamente a luneta estiver no zênite, o ângulo vertical medido será de :math:`360^\circ` ou :math:`0^\circ`. A **posição inversa da luneta** ocorre quando o ângulo zenital estiver entre :math:`180^\circ` e :math:`360^\circ`. Já o ângulo de inclinação tem variação de :math:`0^\circ` a :math:`+90^\circ` se a visada for ascendente e, de :math:`0^\circ` a :math:`-90^\circ` se a visada for descendente. A Tabela abaixo apresenta a relação entre o ângulo zenital, o de inclinação, o tipo de visada, se ascendente ou descendente, e a posição da luneta. .. table:: Relação entre ângulo zenital :math:`(z)`, de inclinação :math:`(\alpha)` e tipo de visada. :header-alignment: ccc :column-alignment: crr ============================== ====================== ================ =================== :math:`z` :math:`\alpha` Tipo de visada Posição da luneta ============================== ====================== ================ =================== :math:`0^\circ`_ a declinação magnética para a Cidade de Campina Grande :math:`(\phi=-7^\circ13'50'',~\lambda=-35^\circ51'52'';~\mathrm{altitude}=551~\mathrm{m})`, PB, para a data de 28/jan/1996, modelo **IGRF**. :exem:`Resp.:` :math:`\delta=-22,33^\circ`. ---- :exem:`13)` Calcular a declinação magnética e a variação sua variação (modelo **IGRF**) para o município de Piracicaba, São Paulo :math:`(\phi=-22^\circ43'31'',~\lambda=-47^\circ38'57'')`, entre o período 1/Jul/1950 e 15/Ago/2010. :exem:`Resp.:` Em 1/Jul/1950 e 15/Ago/2010 a declinação magnética foi de, respectivamente, :math:`-11,87^\circ` e :math:`-20,11^\circ`, logo a variação é de :math:`8,24^\circ` W. ---- :exem:`14)` O ângulo zenital na posição direta é de :math:`74^\circ2'48''`. Qual seria o ângulo equivalente se a luneta estivesse na posição inversa. :exem:`Resp.:` :math:`z_d=285^\circ57'12''`. ---- :exem:`15)` Foram medidos dois pares de ângulo zenital, na posição direta e inversa da luneta, resultando nas seguintes leituras: na posição direta :math:`87^\circ9'37''` e :math:`87^\circ9'43''` e, na posição inversa :math:`272^\circ50'27''` e :math:`272^\circ50'21''`. Calcular o ângulo zenital médio na posição direta da luneta :math:`(\bar{z}_{d})`. :exem:`Resp.:` :math:`\bar{z}_{d}=87^\circ9'38''`. ---- :exem:`16)` Repetir o exercício 15 considerando os seguintes valores de ângulos zenitais: na posição direta :math:`95^\circ49'14''` e :math:`95^\circ49'18''` e, na posição inversa :math:`264^\circ10'40''` e :math:`264^\circ10'36''`. :exem:`Resp.:` :math:`\bar{z}_{d}=95^\circ49'19''`.