Capitulo 8: Poligonal

Em um levantamento topográfico, pode haver a necessidade de estabelecer uma estrutura de pontos com coordenadas conhecidas, tendo a função de servir de base de apoio para as medidas dos pontos de detalhe. Para a construção desta estrutura, utiliza-se o que denominamos de poligonal, que é definida como uma séria de linhas conectadas, onde os ângulos e as distâncias dos alinhamentos são medidos, todas as vezes que sua direção tem mudança. A avaliação da precisão da poligonal, quanto aos ângulos e distâncias medidas, devem ser verificadas. Neste capítulo apresentaremos os procedimentos para determinação e avaliação de poligonais.

Poligonal fechada

Uma poligonal fechada é aquela que começa e termina no mesmo ponto, é matematicamente e geometricamente fechada, permitindo a avaliação dos erros angulares e lineares. Um exemplo deste tipo de poligonal é apresentado na Figura 69, onde os ângulos horizontais são medidos à direita. Os procedimentos para a medição dos ângulos horizontais são apresentados no Capitulo 7: Ângulos, sendo os medidores eletrônicos, presentes em estações totais, os equipamentos mais utilizados para esta finalidade. Já as medidas de distâncias horizontais (ver Capitulo 6: Medidas de distância), são realizadas, preferencialmente, por meio dos medidores eletrônicos de distância, devido à precisão. Todavia, pode-se utilizar medidas de distâncias obtidas por meio dos métodos taqueométricas ou à trena, dependendo do tipo de levantamento a ser realizado [Associação Brasileira de Normas Técnicas96].

fig_ExemploPoligonalFechada.png

Figura 69 Poligonal fechada, matematicamente e geometricamente fechada.}

Poligonal aberta

Uma poligonal aberta, geometricamente aberta, é aquela que apresenta uma série de alinhamentos, não retornando ao ponto inicial, podendo ser apoiada ou não. Por exemplo, na Figura 70 a e b é apresentada, respectivamente, uma poligonal dita apoiada e não apoiada. Na poligonal aberta e apoiada (Figura 70 a), ela começa e termina em alinhamentos conhecidos, onde as suas coordenadas foram previamente estabelecidas. Esta poligonal é dita geometricamente aberta e matematicamente fechada, sendo possível realizar uma avaliação do erro angular de fechamento (ver seção Avaliação do erro angular de fechamento (eaf)) e do erro linear. Já a poligonal aberta e sem apoio (Figura 70 b), não é possível a avaliação dos erros angulares e lineares, logo, deve-se evitá-la. Contudo, caso ela não possa ser evitada, faz-se necessário realizar as medidas de distância e de ângulos com o máximo de atenção, se possível com repetição, a fim de minimizar os erros.

Também na poligonal do tipo aberta, as distâncias e ângulos entre os alinhamentos devem ser, preferencialmente, medidos por meio de medidores eletrônicos, disponíveis nas estações totais. Com relação aos ângulos horizontais, neste nosso exemplo, eles são medidos à direita. No entanto, o método das deflexões também poderia ser o utilizado.

ExemploPoligonalAbertaApoiada.png

Figura 70 Exemplo de poligonal aberta e apoiada (a), matematicamente fechada e geometricamente aberta e poligonal aberta (b), matematicamente e geometricamente aberta.

Cálculo de uma poligonal fechada

A poligonal vai servir de estrutura básica para o mapeamento topográfico dos pontos de detalhe. Assim, a sua qualidade com relação a precisão angular e linear têm que ser verificadas. Tais procedimentos são realizados no escritório ou em campo. Em campo é possível, caso se trabalhe com estações totais que permitam estas avaliações. Os procedimentos para a avaliação e cálculo da poligonal, só são possíveis, ao final da coleta dos dados em campo, sendo eles apresentados na Figura ao lado. As medidas de ângulos e de distâncias serão avaliadas, comparando o erro destas medições com valores de tolerâncias máximas, estabelecidos pela NBR 13133 [Associação Brasileira de Normas Técnicas96], sendo que, apresentado erros superiores, há a necessidade de retornar em campo para repetir as medições em campo.

fig_fluxugramaPolig.png

Figura 71 Procedimento para cálculo de uma poligonal fechada em um ponto.

Exemplo de cálculo de poligonal fechada

Na Figura 72 é apresentado um exemplo de caderneta de campo para uma poligonal do tipo fechada. Esta poligonal será utilizada como o nosso exemplo para as avaliações e cálculos que devem ser realizados neste tipo de politonal. Na caderneta de campo há a indicação de que os ângulo internos foram medidos pelo método das direções e a distâncias horizontais correspondem a média das leituras de ré e vante dos alinhamentos. Existe dois pontos de controle, o \(\mathrm{O}\) e o \(\mathrm{A}\), onde suas coordenadas UTM foram determinadas por meio de levantamento GNSS, logo, o azimute \(\mathrm{OA}\) pode ser determinado. Ele será a referência para a determinação dos demais azimutes. No início do levantamento, com o equipamento na estação \(\mathrm{A}\), a primeira medida de ângulo horizontal foi do alinhamento de azimute conhecido, \(\mathrm{OA}\), ao primeiro alinhamento da poligonal, \(\mathrm{AB}\). Depois passou-se a medir os ângulos internos e as distâncias horizontais dos alinhamentos, sendo os seus valores anotados na tabela da caderneta de campo.

fig_PoligonalFechadaSolucao.png

Figura 72 Caderneta de campo de uma poligonal fechada.

Avaliação do erro angular de fechamento \((eaf)\)

A avaliação o erro angular de fechamento \((eaf)\) é realizada por meio da verificação da diferença do somatório dos ângulos internos medidos com o somatório dos ângulos internos teórico:

(78)\[eaf = \Sigma\mathrm{Hz_{medido}}-\Sigma\mathrm{Hz_{teórico}}\]

Sendo \(\Sigma\mathrm{Hz_{teórico}}=(n-2)180^\circ\) para ângulos internos, \(n\) é o número de lados ou vértices da poligonal.

Para o nosso exemplo, como o número de vértices é de \(5\) \((n=5)\), temos que o somatório teórico, \(\Sigma\mathrm{Hz_{teórico}}\), de \(540^\circ\), \((n-2)180^\circ\). O \(\Sigma\mathrm{Hz_{medido}}\) medidos é de \(539^\circ59'25''\) (ver Table 12). Logo, o \((eaf)\) é de \(-35''\). Considerando a tolerância máxima do erro angular de fechamento \(\text{T}\alpha\leq40''\sqrt{n} = 89''\), conclui-se que os ângulos internos foram medidos dentro dos limites admissível de erro, em que se considera para comparação o \((eaf)\) em módulo. Logo, os ângulos internos podem ser compensados. O tipo de compensação que será aplicada em cada ângulo interno será a linear (ver Compensação do erro angular, Equação (76)):

\[\begin{split}C_{eaf}&= -\frac{eaf}{n}\\ C_{eaf}&= -\frac{-35}{5}\\ C_{eaf}&= +7\end{split}\]

Na Tabela abaixo é apresentado a compensação para todos os ângulos internos. Note que o método linear é indicado quando o comprimento do alinhamentos forem aproximadamente constante. Quando isto não ocorrer, melhor ponderar as compensações pelos comprimentos dos alinhamentos em que o ângulo foi medido onde, as maiores compensações são aplicadas para os comprimentos mais curtos, pois estes estão sujeitos aos maiores erros nas suas medidas (ver [LC95a] e [WG04]).

Table 12 Compensação do erro angular pelo método linear

Estação

\(\sphericalangle\) medido

erro médio

\(\sphericalangle\) compensado

\(\mathrm{A}\)

\(49^\circ 7'44''\)

\(+7\)

\(49^\circ 7'51''\)

\(\mathrm{B}\)

\(100^\circ 4' 4''\)

\(+7\)

\(100^\circ 4'11''\)

\(\mathrm{C}\)

\(114^\circ 34'23''\)

\(+7\)

\(114^\circ34'30''\)

\(\mathrm{D}\)

\(59^\circ55' 7''\)

\(+7\)

\(59^\circ55'14''\)

\(\mathrm{E}\)

\(\underline{216^\circ18' 7''}\)

\(\underline{+7}\)

\(\underline{216^\circ18'14''}\)

\(\,\)

\(\Sigma=539^\circ59'25''\)

\(\Sigma=35''\)

\(\Sigma=540^\circ0'0''\)

Cálculo dos azimutes provisórios

Uma vez que os ângulos internos foram compensados, o próximo passo é o cálculo dos azimutes provisórios. Nesta fase é necessário conhecer pelo menos um azimute do levantamento. Relembrando que os azimutes podem ter como referência de meridiano, o geográfico, o magnético, o hipotético ou o da quadrícula.

Com o uso do GNSS, trabalhando com coordenadas do tipo UTM, a partir da determinação de dois pontos na área a ser levantada, o azimute inicial tornou-se de fácil obtenção. Este azimute tem como referência o meridiano da quadrícula. Como no nosso exemplo foram determinadas as coordenadas UTM dos pontos de controle \(\mathrm{O}\) e \(\mathrm{A}\), pode-se calcular o azimute \(\mathrm{OA}\) e, como o ângulo \(\mathrm{OAB}\) também foi medido, o azimute \(\mathrm{AB}\) pode ser calculado, conforme apresentado no Exemplo abaixo.


Exemplo 1 Calcular o azimute \(\mathrm{AB}\) da poligonal fechada apresentada na Figura 72, onde se conhecem as coordenadas UTM dos pontos \(\mathrm{O}\) e \(\mathrm{A}\), e o ângulo \(\mathrm{OAB}\).

Solução: Cálculo do azimute \(\mathrm{OA}\) por meio das coordenadas UTM:

exem_Calcularoazimutepoligonalfechadasolucaoa.png

Cálculo do azimute \(\mathrm{AB}\) utilizando o azimute \(\mathrm{OA}\) e o ângulo horizontal \(\mathrm{OAB}\):

exem_Calcularoazimutepoligonalfechadasolucaob.png

Por meio de um azimute da poligonal conhecido, no nosso exemplo o azimute \(\mathrm{AB}\) e; com as medidas dos ângulos internos compensadas, os demais azimutes da poligonal podem ser calculados. O azimute de um alinha manto é dado pelo azimute do alinhamento anterior \(\pm180^\circ\), mais o ângulo interno compensado. Os azimutes provisórios calculados para o nosso exemplo são apresentados na Tabela abaixo, onde no final, o azimute \(\mathrm{AB}\) é recalculado para a verificação dos cálculos.

Table 13 Tabela de cálculo dos azimutes do exemplo da Figura 72. Note que os ângulos internos são os compensados.

Estação

\(\sphericalangle\) compensado

Az

\(\mathrm{A}\)

\(49^\circ 7'51''\)

\(\color{blue}{\mathrm{\mathbf{Az_{AB}}}\mathbf{=286^\circ22'25''}}\) (conhecido)

\(\mathrm{B}\)

\(100^\circ 4'11''\)

\(\mathrm{Az_{BC}}=286^\circ22'25''-180^\circ+100^\circ 4'11''=206^\circ26'36''\)

\(\mathrm{C}\)

\(114^\circ33'22''\)

\(\mathrm{Az_{CD}}=206^\circ26'36''-180^\circ+114^\circ34'30''=141^\circ 1' 6''\)

\(\mathrm{D}\)

\(59^\circ55'14''\)

\(\mathrm{Az_{DE}}=141^\circ 1' 6''-180^\circ+59^\circ55'14'' = 20^\circ56'20''\)

\(\mathrm{E}\)

\(216^\circ18' 14''\)

\(\mathrm{Az_{EA}}=20^\circ56'20'' -180^\circ+216^\circ18'14''= 57^\circ14'34''\)

Verificação

\(\mathrm{A}\)

\(49^\circ 7'51''\)

\(\mathrm{Az_{AB}}=57^\circ14'34'' -180^\circ+49^\circ 7'51''=-73^\circ37'35''=\color{blue}\mathbf{286^\circ22'25''}\)

Cálculo das coordenadas parciais

Uma vez calculados os azimutes provisórios, tem-se que determinar as coordenadas parciais dos alinhamentos, que nada mais são do que as projeções dos alinhamentos sobre o eixo-\(x\) e \(y\). Na Figura 73 é apresentado um alinhamento hipotético \(\mathrm{AB}\), e a sua projeção sobre o eixo-\(x\) e \(y\), correspondendo, respectivamente, a \(\Delta x\) e a \(\Delta y\). Como este alinhamento teve a distância horizontal e o azimute determinados, por meio deles, pode-se calcular as suas coordenadas parciais.

As coordenadas parciais, quando calculadas a partir do azimute, poderão ter valores positivos ou negativos. Se \(\Delta x\) ou \(\Delta y\) forem positivos, indica que o alinhamento tem direção este ou norte, respectivamente. Por outro lado, se \(\Delta x\) ou \(\Delta y\) forem negativos, a direção do alinhamento é oeste ou sul, respectivamente. Para as coordenadas parciais calculadas por meio dos rumos, há a necessidade de se estabelecer se o alinhamento está projetado esquerda ou ao sul \((-)\), ou se está à direita ou ao norte \((+)\). Como o cálculo com o azimute retorna o sinal da projeção automaticamente, logo o sentido da projeção, a sua utilização se torna preferível.

fig_coordenadasparciais.png

Figura 73 Representação e cálculo das coordenadas parciais de um alinhamento por meio do seu azimute e da distância horizontal.

Na Figura 74 são apresentadas as coordenadas parciais dos alinhamentos da nossa poligonal de exemplo (Figura 72). Também são apresentados os somatórios das distâncias horizontais, \(\Sigma\mathrm{DH}\), e das coordenadas parciais, \(\Sigma\Delta x\) e \(\Sigma\Delta y\). Estes somatórios serão utilizados nas próximas etapas, “avaliação do erro de fechamento linear e a sua compensação”.

fig_coordenadasparciaispoligona.png

Figura 74 Coordenadas parciais dos alinhamentos.

Avaliação do erro de fechamento linear

A nossa poligonal, \(\mathrm{ABCDEA}\), começa e termina em um mesmo ponto, o \(\mathrm{A}\). Uma vez que as medidas de ângulos e distância estão sujeitas a erros, caso se calcule as coordenadas retangulares das estações a partir das coordenadas parciais (Figura 74), ao invés de obtermos ao final a mesma coordenada da estação \(A\), obteríamos uma coordenada distinta, onde a denominaremos de \(A'\). Na Figura 75 é apresentado um esquema da nossa poligonal que não fecha em \(A\), mas sim em \(A'\). A distância entre \(A\) e \(A'\) é denominado de erro de fechamento linear \((E)\). Ele é utilizado para avaliação da precisão do levantamento, sendo dado por:

(79)\[E = \sqrt{({\Sigma\Delta x})^2+({\Sigma\Delta y})^2}\]
fig_errolinear

Figura 75 Esquema do erro de fechamento linear de uma poligonal.

Uma vez calculado \(E\), deve-se compará-lo com a tolerância do erro linear de fechamento (\(\mathrm{T}_p\)), que é apresentado na NBR 13133 [Associação Brasileira de Normas Técnicas96]. A \(\mathrm{T}_p\) depende da finalidade da poligonal. Para os nossos exemplo e exercícios de poligonal fechada, utilizaremos \(\mathrm{T}_p\leq0,56\sqrt{L(\mathrm{km})}\), sendo que, \(L\) é o perímetro da poligonal na unidade de quilômetros. Em se obtendo valor de \(E\leq\mathrm{T}_p\), pode-se realizar a compensação do erro de fechamento linear, a fim de tornar a poligonal fechada. Caso contrário, \(E>\mathrm{T}_p\), o levantamento não está de acordo com a precisão necessária para o projeto, devendo-se voltar ao campo e refazer as medidas de ângulos e de distância da poligonal.


Exemplo 2 Para a nossa poligonal de exemplo, calcular o erro de fechamento linear \((E)\) e, verificar se o mesmo se encontra dentro do limite de tolerância para o erro de fechamento linear.

Solução: De acordo com a Equação (79) e, os valores de \(\Sigma\Delta x\) e \(\Sigma\Delta y\) apresentados na Figura 74, temos:

\[E=\sqrt{(0,301)^2+(-0,424)^2} =0,520\,\text{m}.\]

O valor do perímetro da poligonal é de \(911,307\,\text{m}\,(0,911307\,\text{km})\) (Figura 74, logo \(\mathrm{T}_p\):

\(\mathrm{T}_p=0,56\sqrt{0,911307)}=0,535\,\text{m}\).

Uma vez que o \(E\leq\mathrm{T}_{p}\), pode-se concluir que a poligonal está dentro do limite máximo de erro de tolerância para o erro linear de fechamento, podendo-se aplicar a distribuição do erro linear.


Precisão relativa

Uma forma de apresentar no memorial descritivo e na planta, o grau de precisão interna da poligonal, é por meio da precisão relativa \((P_r)\). Ela é calculada pela razão entre o \(E\) e o perímetro da poligonal \((\Sigma\mathrm{DH})\). Desta forma, \(P_r\) do nosso exemplo será:

\[\begin{split}Pr =\frac{E}{\Sigma\mathrm{DH}}\\ Pr =\frac{0,520}{911,307}\end{split}\]

Dividindo o numerador e o denominador por \(0,520\), com a finalidade de tornar o numerador \(1\) e, arredondando o denominador, temos:

\[\begin{split}Pr =\frac{\dfrac{0,520}{0,520}}{\dfrac{911,307}{0,520}}\\ Pr =\frac{1}{1\,753}.\end{split}\]

Significa que no nosso levantamento ocorre \(1\,\text{m}\) de erro a cada \(1\,753\,\text{m}\) de perímetro da poligonal. Quanto maior o valor do denominador, maior é a precisão do levantamento.

Compensação do erro de fechamento linear

A compensação do erro de fechamento linear, tem como objetivo tornar a poligonal fechada. Pode-se citar como metodologias empregadas para compensação do erro de fechamento linear: i) a distribuição do erro de fechamento igualmente por todas a coordenadas relativas; ii) proporcional ao comprimento dos lados; iii) proporcional aos valores absolutos das coordenadas parciais. A NBR 13133 [Associação Brasileira de Normas Técnicas96] permite a compensação por quaisquer destes métodos. Para o nosso levantamento utilizaremos o método proporcional ao comprimento dos lados, para os demais métodos consultar, por exemplo, em [LC95a], [WG04] e [LC95b].

A compensação do erro de fechamento linear, nas coordenadas parciais de um alinhamento qualquer \((C_{\Delta x}\) e \(C_{\Delta y})\), por exemplo o \(\mathrm{AB}\), pelo método proporcional ao comprimento do lado será:

(80)\[C_{\Delta x_{\mathrm{AB}}} = -\frac{\Sigma\Delta x}{\Sigma \mathrm{DH}} \mathrm{DH}_{\mathrm{AB}}\]
(81)\[C_{\Delta y_{\mathrm{AB}}} = -\frac{\Sigma\Delta y}{\Sigma \mathrm{DH}} \mathrm{DH}_{\mathrm{AB}}\]

Exemplo 3 Considerando as coordenadas parciais apresentada na Figura 74, referente a poligonal do nosso exemplo, calcular as coordenadas parciais compensadas por meio do método proporcional ao comprimento dos lados.

Solução: De acordo com a Equação (80) e (81), para o alinhamento \(\mathrm{AB}\), temos:

\({\displaystyle C_{\Delta x_{\mathrm{AB}}}=-\frac{0,301}{911,307}\times201,737=-0,067}\,\text{m}\),

\({\displaystyle C_{\Delta y_{\mathrm{AB}}}=-\frac{-0,424}{911,307}\times201,737=0,094}\,\text{m}\).

Desta forma, \(\Delta x\) e \(\Delta y\) compensados \((\Delta x_C\) e \(\Delta y_C)\), do alinhamento \(\mathrm{AB}\) serão:

\({\displaystyle \Delta x_{C_{\mathrm{AB}}}=\Delta x_{\mathrm{AB}}+C_{\Delta x_{\mathrm{AB}}}=-193,555+-0,067=-193.622\,\text{m}}\),

\({\displaystyle \Delta y_{C_{\mathrm{AB}}}=\Delta y_{\mathrm{AB}}+C_{\Delta y_{\mathrm{AB}}}=56,870+0,094=56,964\,\text{m}}\).

As compensações dos demais alinhamentos são apresentadas na Tabela a seguir. Note que ao final da tabela é realizado o somatório das compensações e das coordenadas parciais compensadas. O somatório das compensações tem que ser de mesmo valor do somatório das coordenadas parciais, com sinal contrário. Já o somatório das coordenadas parciais compensadas, tem que resultar em zero.

Estação

DH

\(\Delta x\)

\(\Delta y\)

\(C_{\Delta x}\)

\(C_{\Delta y}\)

\(\Delta x_C\)

\(\Delta y_C\)

\(\mathrm{A}\)

\(201,737\)

\(-193,555\)

\(56,870\)

\(-0,067\)

\(0,094\)

\(-193,622\)

\(56,964\)

\(\mathrm{B}\)

\(224,863\)

\(-100,134\)

\(-201,337\)

\(-0,074\)

\(0,105\)

\(-100,208\)

\(-201,232\)

\(\mathrm{C}\)

\(141,247\)

\(88,854\)

\(-109,798\)

\(-0,047\)

\(0,066\)

\(88,807\)

\(-109,732\)

\(\mathrm{D}\)

\(173,084\)

\(61,855\)

\(161,654\)

\(-0,057\)

\(0,081\)

\(61,798\)

\(161,735\)

\(\mathrm{E}\)

\(\underline{170,376 }\)

\(\underline{143,281}\)

\(\underline{92,187}\)

\(\underline{-0,056}\)

\(\underline{0,078}\)

\(\underline{143,225}\)

\(\underline{92,265}\)

\(\,\)

\(\Sigma=911,307\)

\(\Sigma=0,301\)

\(\Sigma=-0,424\)

\(\Sigma=-0,301\)

\(\Sigma=0,424\)

\(\Sigma=0\)

\(\Sigma=0\)


Cálculo das coordenadas retangulares da poligonal

A poligonal vai servir de apoio para as medidas dos pontos de detalhe do mapeamento logo, o cálculo das suas coordenadas retangulares se faz necessário. A partir das coordenadas retangulares, por exemplo, podem-se calcular as distâncias horizontais e os azimutes finais dos alinhamentos. Também, a partir das coordenadas retângulares, pode-se calcular a área da poligonal pelo método de Gauss (seção Cálculo de área por Gauss).

Para o cálculo das coordenadas retângulares, há a necessidade de se conhecer pelo menos a coordenada de um ponto. Em uma situação ideal, a poligonal é vinculada a rede geodésica (Sistema Geodésico Brasileiro), onde será utilizada as coordenadas UTM. Em não havendo pontos de apoio topográfico, pode-se atribuir uma coordenada a um ponto, tomando-se o cuidado dele ter valores suficientemente altos, para não resultar em coordenadas retângulares negativas nos outros pontos. Por exemplo pode-se adotar no ponto inicial, \(x=10.000\,\text{m}\) e \(y=10.000\,\text{m}\). Outros procedimentos para a amarração da poligonal podem ser verificados na [Associação Brasileira de Normas Técnicas96] [páginas 7-8].

Considere um alinhamento hipotético \(\mathrm{AB}\), onde são conhecidas, a coordenada retangular do ponto \(\mathrm{A}(x_\mathrm{A},\,x_\mathrm{A})\) e as coordenadas parciais de \(\mathrm{AB}\), \((\Delta x_{\mathrm{AB}}\) e \(\Delta y_{\mathrm{AB}})\), então a coordenada de B será:

(82)\[x_\mathrm{B} = x_\mathrm{A}+\Delta x_{\mathrm{AB}}\]
(83)\[y_\mathrm{B} = y_\mathrm{A}+\Delta y_{\mathrm{AB}}\]

Exemplo 4 Calcular as coordenadas retangulares da poligonal da Figura 72, considerando conhecida a coordenada UTM da estação \(\mathrm{A}(\text{E}=268\,011,610\,\text{m};\,\text{N}=7\,370\,836,303\,\text{m})\).

Solução: A coordenada UTM, E e N, da estação \(\mathrm{A}\) é em relação ao eixo-\(x\) e \(y\) da quadrícula logo, \(x_{\mathrm{A}} = 268\,011,610\,\text{m}\) e \(y_{\mathrm{A}}=7\,370\,836,303\,\text{m}\). De acordo com a Equação (82) e (83), e as coordenadas parciais AB compensada, temos:

\({\displaystyle x_{\mathrm{B}}=268\,011,610+-193,622=267\,817,988}\,\text{m}\),

\({\displaystyle y_{\mathrm{B}}=7\,370\,836,303+56,964=7\,370\,893,267}\,\text{m}\).

Para os demais alinhamentos, os resultados são apresentados na Tabela a seguir. Note que a coordenada da estação conhecida é colocada na sua respectiva linha, assim, na linha da estação \(\mathrm{A}\), é colocado o valor da coordenada UTM obtida por GNSS. Para as demais estações a coordenada é calculada, somando a coordenada da linha acima (anterior) com a parcial, também da linha acima na Tabela. Com o objetivo de verificção dos cálculos, ao final, a coordenada do ponto inicial é calculada, em que deve-se obter o mesmo valor da coordenada de saída, neste exemplo, a obtida por GNSS.

Estação

\(\Delta x_C\)

\(\Delta y_C\)

\(x\) (E)

\(y\) (N)

\(\mathrm{A}\)

\(-193,622\)

\(56,964\)

\(\textcolor{blue}{\mathbf{268\,011,610}}\)

\(\textcolor{blue}{\mathbf{7\,370\,836,303}}\)

\(\mathrm{B}\)

\(-100,208\)

\(-201,232\)

\(267\,817,988\)

\(7\,370\,893,267\)

\(\mathrm{C}\)

\(88,807\)

\(-109,732\)

\(267\,717,780\)

\(7\,370\,692,035\)

\(\mathrm{D}\)

\(61,798\)

\(161,735\)

\(267\,806,587\)

\(7\,370\,582,303\)

\(\mathrm{E}\)

\(143,225\)

\(92,265\)

\(267\,868,385\)

\(7\,370\,744,038\)

\(\,\)

\(\,\)

Verificação

\(\textcolor{blue}{\mathbf{268\,011,610}}\)

\(\textcolor{blue}{\mathbf{7\,370\,836,303}}\)


Cálculo da distância horizontal e azimute dos alinhamentos da poligonal

O azimute e a distância horizontal final dos alinhamentos devem calculados ao final, pois, uma vez que os erros dos ângulos e o linear foram compensados, a direção e a distância dos alinhamentos foram distintas das inicialmente calculadas e medidas, respectivamente. Estes azimutes e distâncias recalculados, serão as medidas a serem apresentadas no memorial descritivo e na planta final do levantamento.

As direções e as distâncias dos alinhamentos podem ser calculadas por meio das coordenadas parciais compensadas ou das coordenadas retangulares finais. As relações para a determinação do azimute e da distância horizontal de um alinhamento AB, por exemplo, por meio das coordenadas parciais compensadas ou das coordenadas retangulares finais, são:

(84)\[\tan \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}} = \frac{x_\mathrm{B}-x_\mathrm{A}}{y_\mathrm{B}-y_\mathrm{A}} = \frac{\Delta x}{\Delta y}\]
(85)\[\mathrm{DH}_\mathrm{AB} = \frac{x_\mathrm{B}-x_\mathrm{A}}{\sin \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}} = \frac{\Delta x}{\sin \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}}\]
(86)\[\begin{split}\mathrm{DH}_\mathrm{AB}= \frac{y_\mathrm{B}-y_\mathrm{A}}{\cos \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}} = \frac{\Delta y}{\cos \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}} \nonumber\\\end{split}\]
(87)\[\mathrm{DH}_\mathrm{AB}= \sqrt{(x_\mathrm{B}-x_\mathrm{A})^2+(y_\mathrm{B}-y_\mathrm{A})^2} = \sqrt{\Delta x^2 + \Delta y^2}\]

Parasimplificação das Equações (84) a (87), foram utilizados, \(\Delta x\) e \(\Delta y\), e não \(\Delta x_C\) e \(\Delta y_C\), como apresentado anteriormente. Na determinação correta do azimute, deve-se considerar o quadrante em que o alinhamento se encontra, somando \(180^\circ\) se o alinhamento estiver no quadrante SE ou SW e, somando \(360^\circ\) se o alinhamento estiver no quadrante NW. No quadrante NE, o azimute é dado diretamente na Equação.

Cabe também salientar que, a Equação (84) não é definida quando \(\Delta y=0\), nem a Equação (85) e (86), quando \(\sin \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}=0\) ou \(\cos \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}=0\). Desta forma, comsiderar:

  • na Equação (84) o \(\Delta y=0\), o azimute será de \(90^\circ\) ou de \(270^\circ\), se \(\Delta x>0\) ou \(\Delta x<0\), respectivamente;

  • na Equação (85) com o \(\sin \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}=0\) \((\mathrm{Az=0^{\circ}}\) ou \(\mathrm{Az=180^{\circ}})\), a \(\mathrm{DH}\) será o módulo de \(\Delta y\);

  • na Equação (86) com o \(\cos \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}=0\) \((\mathrm{Az=90^{\circ}}\) ou \(\mathrm{Az=270^{\circ}})\), a \(\mathrm{DH}\) será o módulo de \(\Delta x\).

Exemplo 5 Calcular os azimutes e as distâncias horizontais finais dos alinhamentos do nosso exemplo.

Solução: A partir das coordenadas parciais compensadas do Exemplo 2 e, por meio da Equação (84), o azimute \(\mathrm{AB}\) será:

\[\begin{split}\tan\mathrm{Az}_{\mathrm{AB}} &=\frac{-193,622}{56,964}\\ \tan\mathrm{Az}_{\mathrm{AB}} &=-3,3990\\ Az_{AB} &=\arctan(-3,3990)\\ Az_{AB} &=-73^{\circ}36'22'',\end{split}\]

Como o alinhamento está no quadrante NW:

\({\displaystyle \mathrm{Az}_{\mathrm{AB}}=360^{\circ}-73^{\circ}36'22''=286^{\circ}23'38''}\).

Já a \(\mathrm{DH}_{\mathrm{AB}}\), considerando a Equação (87):

\(\mathrm{DH}_{\mathrm{AB}}=\sqrt{-193,622^2+56,964^2} = 201,828\,\text{m}\).

Para os demais alinhamentos, o procedimento é equivalente, sendo o resultado apresentado na Tabela a seguir.

Alin

\(\Delta x_C\)

\(\Delta y_C\)

DH

Az

\(\mathrm{AB}\)

\(-193,622\)

\(56,964\)

\(201,828\)

\(286^\circ23'38''\)

\(\mathrm{BC}\)

\(-100,208\)

\(-201,232\)

\(224,802\)

\(206^\circ28'19''\)

\(\mathrm{CD}\)

\(88,807\)

\(-109,732\)

\(141,166\)

\(141^\circ 0'59''\)

\(\mathrm{DE}\)

\(61,798\)

\(161,735\)

\(173,139\)

\(20^\circ54'42''\)

\(\mathrm{EA}\)

\(143,225\)

\(92,265\)

\(170,371\)

\(57^\circ12'38''\)

Observe que as distâncias horizontais e azimutes não correspondem aqueles medidos em campos e calculados, respectivamente (ver Figura 74). Isto ocorre pois, ao longo dos cálculos da poligonal fechada, os erros angulares e lineares foram compensados, modificando as posições dos pontos, logo a distância horizontal entre eles os seus sentidos.


Após os cálculo das coordenadas, e azimutes finais, a NBR 13133 [Associação Brasileira de Normas Técnicas96], página 19, ainda estabelece que: “Após o ajustamento, devem ser calculados e comparados com seus valores preestabelecidos como tolerâncias os erros médios relativos entre quaisquer duas estações poligonais (para todos os lados poligonais), o erro médio em azimute e o erro médio em coordenadas (de posição)”. Estes procedimentos de avaliação fogem ao objetivo introdutório deste livro, logo, não serão apresentados. Todavia, estas informações podem ser obtidas na [Associação Brasileira de Normas Técnicas96].

Cálculo da poligonal quando pontos não podem ser ocupados

Muitas vezes, no levantamento de uma poligonal, não é possível ocupar os pontos do limite da área, por exemplo, se o limite é materializado por uma cerca. Logo, o que se pode fazer é, estacionar o equipamento em uma posição próxima, e a partir desta estação, medir o ângulo horizontal entre o alinhamento da poligonal e o ponto de interesse e, também, a distância horizontal entre a estação e o ponto. Com o ângulo horizontal do alinhamento e o azimute da poligonal conhecido, é calculado o azimute da estação ao ponto obstruído e suas coordenadas parciais. Então, a coordenada do ponto obstruído pode ser calculada, uma vez que ele está apoiado em um ponto de coordenada conhecida e se conhecem as suas coordenadas parciais.

Exemplo 6 Considere que no nosso exemplo, ao invés da poligonal de interesse ser a \(\mathrm{ABCDEA}\), passe a ser a \(\mathrm{ABPDEA}\), de acordo com a Figura que segue. O ponto \(\mathrm{P}\) não pode ser ocupado, logo, da estação mais próxima \(\mathrm{(C)}\) mediu-se a distância horizontal \(\mathrm{CP}\) e o ângulo horizontal à direita \(\mathrm{BCP}\), sendo, respectivamente, de \(7,85\,\text{m}\) e \(253^\circ22'\) . Calcular o azimute e a distância horizontal do alinhamento \(\mathrm{BP}\).

fig_pontoobstruido.png

Solução: Primeiramente, deve-se calcular a coordenada do ponto \(\mathrm{P}\). Para tanto, temos que determinar o \(\mathrm{Az}_{\mathrm{CP}}\) e as suas coordenadas parciais do alinhamento \(\mathrm{CP}\). O \(\mathrm{Az}_{\mathrm{CP}}\) é:

\[\begin{split}\mathrm{Az}_{\mathrm{CP}} &=\mathrm{Az}_{\mathrm{BC}}-180^{\circ}+\mathrm{BCP}\\ \mathrm{Az}_{\mathrm{CP}} &=206^{\circ}28'19''-180^{\circ}+253^{\circ}22'\\ \mathrm{Az}_{\mathrm{CP}} &=279^{\circ}50'19''.\end{split}\]

As coordenadas parciais do alinhamento \(\mathrm{CP}\):

\[\begin{split}\Delta x_{{\mathrm{CP}}} &=\mathrm{DH}_{\mathrm{CP}}\sin\mathrm{Az}_{\mathrm{CP}}\\ &=7,85\sin279^{\circ}48'36''\\ &=-7,735\,\text{m},\end{split}\]
\[\begin{split}\Delta y_{{\mathrm{CP}}} &=\mathrm{DH}_{\mathrm{CP}}\cos\mathrm{Az}_{\mathrm{CP}}\\ &=7,85\cos279^{\circ}48'36''\\ &=1,341\,\text{m}.\end{split}\]

Uma vez que a coordenada do ponto \(\mathrm{C}\) foi calculada (Exemplo 4), \(x_\mathrm{C}=267.717,780\,\text{m}\) e \(y_\mathrm{C}=7.370.692,035\,\text{m}\), a coordenada de \(\mathrm{C}\) será (Equações (82) e (83)):

\[\begin{split}x_{\mathrm{P}} &=x_{\mathrm{C}}+\Delta x_{{\mathrm{CP}}}\\ &=267.717,780+-7,735\\ &=267.710,045\,\text{m},\end{split}\]
\[\begin{split}y_{\mathrm{P}} &=y_{\mathrm{C}}+\Delta y_{{\mathrm{CP}}}\\ &=7.370.692,035+1,341\\ &=7.370.693,377\,\text{m}.\end{split}\]

Com a coordenada do ponto \(\mathrm{B}\) conhecida (Exemplo 5) e utilizando as Equação (84), temos o azimute \(\mathrm{BP}\):

\[\begin{split}\tan\mathrm{Az}_{\mathrm{BP}}&=\frac{x_{\mathrm{B}}-x_{\mathrm{P}}}{y_{\mathrm{B}}-y_{\mathrm{P}}}\\ &=\frac{267.817,988-267.710,045}{7.370.893,267-7.370.693,377}\\ &=\frac{107,943}{199,890}\end{split}\]

Como o alinhamento \(\mathrm{BP}\) está no quadrante SW:

\[\begin{split}\mathrm{Az}_{\mathrm{BP}}&=\arctan\frac{107,943}{199,890}+180^{\circ}\\ \mathrm{Az}_{\mathrm{BP}}&=208^{\circ}22'10''.\end{split}\]

A distância horizontal \(\mathrm{BP}\) (Equação (87)):

\[\begin{split}\mathrm{DH}_{\mathrm{BP}} &=\sqrt{(x_{\mathrm{B}}-x_{\mathrm{P}})^{2}+(y_{\mathrm{B}}-y_{\mathrm{P}})^{2}}\\ \mathrm{DH}_{\mathrm{BP}} &=\sqrt{107,943^2+199,890^2}\\ \mathrm{DH}_{\mathrm{BP}} &=227,173\,\text{m}.\end{split}\]

Cálculo de uma poligonal aberta e apoiada

No cálculo de uma poligonal aberta e apoiada, as compensações dos erros angulares e lineares são realizadas da mesma forma que na poligonal fechada, caso estejam dentro da tolerância estabelecida pela NBR 13133 [Associação Brasileira de Normas Técnicas96]. Na avaliação dos erros, se a poligonal aberta e apoiada tem desenvolvimento curvo, deve-se calcular o erro de fechamento angular e linear da mesma forma que na poligonal fechada em um ponto, conforme apresentado na seção Cálculo de uma poligonal fechada, e comparar com a tolerância máxima para este tipo de poligonal. Já, se o desenvolvimento da poligonal for retilíneo, devem-se calcular os erros de fechamento longitudinal \((\mathit{efl})\) e o transversal \((\mathit{eft})\), e comparar se estes estão de acordo com a tolerância da NBR 13133 [Associação Brasileira de Normas Técnicas96].

AbertaApoiadaErro.png

Figura 76 Representação do erro de fechamento longitudinal e transversal de uma poligonal aberta e apoiada.

Na Figura 76 é apresentada uma representação gráfica conceitual do \(\mathit{efl}\) e do \(\mathit{eft}\). Seja \(\mathrm{AE}\) o alinhamento entre os pontos das estações de apoio, de saída e de chegada, do levantamento da poligonal \(\mathrm{ABCDE}\). Como o levantamento está sujeito aos erros angulares e lineares, quando calculada a posição do ponto de chegada, ao invés de encontrarmos a coordenada de \(\mathrm{E}\), será outra, denominaremos de \(\mathrm{E}'\) . A interseção da projeção perpendicular de \(\mathrm{E}'\) ao alinhamento \(\mathrm{AB}\), será denominado de \(\mathrm{H}\). Desta forma, o \(\mathit{efl}\) será comprimento entre o ponto \(\mathrm{H}\) e \(\mathrm{E}\), enquanto o \(\mathit{eft}\) é a distância entre \(\mathrm{H}\) e \(\mathrm{E}'\) . Como a poligonal tem desenvolvimento retilíneo, \(\mathit{eft}\) é função dos erro angular de fechamento, enquanto o \(\mathit{efl}\) é função do erro linear.

O \(\mathit{eft}\) e o \(\mathit{efl}\) podem ser obtidos analiticamente, antes da compensação angular. Um exemplo de procedimento de cálculo é apresentado no Exemplo que segue.


Exemplo 7 De acordo com a Figura 76, seja: a coordenada da estação de controle \(\mathrm{E}\) igual a \(x_{\mathrm E}=1\,420,118\,\text{m}\) e \(y_{\mathrm E}=1\,159,889\,\text{m}\); a coordenada \(\mathrm{E}'\) , calculada a partir das medidas de campo, sem a correção angular e linear igual a \(x_{\mathrm{E}'}=1\,419,080\,\text{m}\) e \(y_{\mathrm{E}'}=1\,160,235\,\text{m}\); o azimute entre as estações de controle \(\mathrm{AE}\) de \(230^\circ28'40''\). Pergunta-se, qual o \(\mathit{eft}\) e o \(\mathit{efl}\) desta poligonal aberta e apoiada.

Solução:

ExemploAbertaApoiadaErro.png

Sugestão de aula prática

Levantamento de uma poligonal fechada

Objetivo: Levantar, e calcular as coordenadas finais de uma poligonal a ser estabelecida em campo. Considerar o modelo da caderneta de campo apresentada na Figura 72.

Material: Estação total e acessórios.

Como sugestão de roteiro:

  • materializar em campo o poligonal a ser levantada;

  • no ponto inicial, depois do equipamento nivelado, estabelecer a direção do Norte;

  • medir o azimute do primeiro alinhamento;

  • fazer as medições no sentido anti-horário da poligonal, medindo os ângulos internos à direita e a distância horizontal do vétice ao ponto de vante;

  • avaliar o erro angular de fechamento;

  • compensar o erro angular de fechamento pelo método linear;

  • avaliar o erro linear;

  • calcular a precisão relativa;

  • compensar o erro de fechamento;

  • calcular as coordenadas totais;

  • desenhar no AutoCad;

Apresentar a poligonal em planta, com a sua precisão.

Exercícios

1) Em uma poligonal fechada com 5 vértices, \(\mathrm{ABCDE}\), foram medidos os ângulos horizontais à direita (internos), sendo: \(\mathrm{A}=100^\circ 27' 9''\), \(\mathrm{B}=71^\circ 20' 45''\), \(\mathrm{C}=216^\circ 47' 5''\) , \(\mathrm{D}=60^\circ 0' 3''\) e \(\mathrm{E}=91^\circ 25'18''\). Calcular o erro angular de fechamento e realizar a compensação pelo método linear.

Resp.: \(E=20'\); ângulos compensados: \(\mathrm{A}=100^\circ27' 5''\); \(\mathrm{B}= 71^\circ20'41''\); \(\mathrm{C}=216^\circ47' 1''\); \(\mathrm{D}= 59^\circ59'59''\) e \(\mathrm{E}=91^\circ25'14''\).


2) Fazer um esboço da poligonal \(\mathrm{ABCDE}\) e: calcular as coordenadas parciais; o erro de fechamento linear \((E)\) e; a precisão relativa \((P_r)\) do levantamento do exercício 1. Considere o azimute do alinhamento \(\mathrm{AB}\) de \(201^\circ 4'55''\) e, as distâncias horizontais dos alinhamentos em metros, de: \(\mathrm{AB}=173,831\); \(\mathrm{BC}=82,447\); \(\mathrm{CD}=100,334\); \(\mathrm{DE}=206,936\) e \(\mathrm{EA}133,172\).

Resp.: Na Figura abaixo.

resp_exer_2.png

3) O erro linear de fechamento encontrado no exercício 3 está dentro do limite estabelecido pela NBR13133, considerando \(\mathrm{T}_p\leq0,56\sqrt{L(\mathrm{km})}\) ?

Resp.: Sim.


4) Compensar as coordenadas parciais do exercício 2 utilizando o método proporcional ao comprimento dos lados e, sendo atribuída a coordenada do ponto \(\mathrm{A}\), \(x_\mathrm{A}=1.000\,\text{m}\) e \(y_\mathrm{A}=1.000\,\text{m}\), calcular as coordenadas dos demais vértices.

Resp.: Na Tabela abaixo.

Alin

\(\Delta x_{\mathrm{C}}\)

\(\Delta y_{\mathrm{C}}\)

Ponto

\(x\)

\(y\)

\(\mathrm{AB}\)

\(-62,484\)

\(-162,126\)

\(\mathrm{A}\)

\(1\,000,000\)

\(1\,000,000\)

\(\mathrm{BC}\)

\(82,394\)

\(-3,458\)

\(\mathrm{B}\)

\(937,517\)

\(837,874\)

\(\mathrm{CD}\)

\(77,768\)

\(-63,388\)

\(\mathrm{C}\)

\(1\,019,911\)

\(834,416\)

\(\mathrm{DE}\)

\(33,174\)

\(204,351\)

\(\mathrm{D}\)

\(1\,097,679\)

\(771,028\)

\(\mathrm{EA}\)

\(-130,852\)

\(24,620\)

\(\mathrm{E}\)

\(1\,130,852\)

\(975,380\)


5) Calcular os azimutes finais dos alinhamentos \(\mathrm{BC}\) e \(\mathrm{CD}\) do exercício 4.

Resp.: \(\mathrm{Az}_{\mathrm{BC}}=92^\circ24' 11,4''\) e \(\mathrm{Az}_{\mathrm{CD}}=129^\circ10'59,5''\).


6) Calcular as distâncias horizontais finais dos alinhamentos \(\mathrm{BC}\) e \(\mathrm{CD}\) do exercício 4.

Resp.: \(\mathrm{DH}_{\mathrm{BC}}=82,467\,\text{m}\) e \(\mathrm{DH}_{\mathrm{CD}}=100,329\,\text{m}\).


7) Seja a poligonal fechada apresentada na Figura 77, com: os ângulos internos medidos à direita; o azimute \(\mathrm{AB}\) de \(106^\circ12'36''\) e; a coordenada de \(\mathrm{A}\), \(x_\mathrm{A}=5\,000\,\text{m}\) e \(y_\mathrm{A}=5\,000\,\text{m}\). Sendo a compensação do erro de fechamento angular compensado pelo método linear e, a compensação do erro de fechamento linear pelo o método proporcional ao comprimento dos lados, calcular:

  1. o erro angular de fechamento;

  2. o erro de fechamento linear \((E)\);

  3. a precisão relativa \((P_r)\);

  4. as coordenadas dos pontos \(\mathrm{B}\) e \(\mathrm{C}\);

  5. o azimute final \(\mathrm{BC}\).

ExerciPoligoaltriangulo

Figura 77 Dados do Exercício 7.


Resp.: a) erro angular de fechamento de \(9''\); b) \(E=0,145\,\text{m}\); c) \(P_r=1/15\,892\); d) Ponto \(\mathrm{B}\) \((x_\mathrm{B}=5\,633,767\,\text{m; }\) \(y_\mathrm{B}=4\,815,722\,\text{m})\) e ponto \(\mathrm{C}\) \((x_\mathrm{C}=5\,198,167\,\text{m; }\) \(y_\mathrm{C}=5\,660,787\,\text{m})\); e) \(\mathrm{Az}_{\mathrm{BC}}=332^\circ43'50''\).

8) Na Figura 78 são apresentadas as distâncias horizontais e as coordenadas parciais não compensadas da poligonal \(\mathrm{ABCDE}\). Calcular:

  1. o erro de fechamento linear \((E)\);

  2. a precisão relativa \((P_r)\);

  3. os azimutes e as distâncias horizontais após a compensação do erro de fechamento linear pelo o método proporcional ao comprimento dos lados.

fig_ExerciPoligoal3

Figura 78 Dados do Exercício 8.

Resp.: a) \(E=0,424\,\text{m}\); b) \(P_r=1/10\,379\) ; d) na Tabela abaixo.

Alinhamento

Az

DH

\(\mathrm{AB}\)

\(213^\circ38'10''\)

\(632,008\)

\(\mathrm{BC}\)

\(121^\circ53'49''\)

\(1\,128,664\)

\(\mathrm{CD}\)

\(45^\circ57'10''\)

\(1\,160,489\)

\(\mathrm{DE}\)

\(282^\circ20'53''\)

\(1\,476,432\)